Profissionais da enfermagem do município de Ponta Porã (MS), iniciaram nesta quinta-feira (27), uma greve por tempo indeterminado devido a proposta de congelamento do salário por parte do Hospital Regional Dr. José Simone Netto, que nas negociações salariais apresentou reajuste zero.
A categoria se reuniu hoje na frente do hospital, em uma mobilização e segundo membros do Sindicato dos Trabalhadores da Área de Enfermagem do Mato Grosso do Sul (SIEMS), o protesto não tem hora para encerrar e destaca que a greve só será suspensa quando houver negociação que seja respeitosa, sem perdas salariais.
O presidente do SIEMS, Lázaro Santana, explicou que apenas 30% da categoria continua atendendo e as atividades só serão retomadas após nova proposta da entidade patronal.
“Ponta Porã é o município com a menor remuneração à enfermagem e agora, mesmo sabendo da realidade dos profissionais que tanto se esforçam no combate à Covid-19, o congelamento do salário seria penalizar ainda mais a enfermagem. A categoria não aceita perdas”, destaca.
ABERTA AO DIÁLOGO
O diretor do SIEMS, Sebastian Rojas, afirmou que a categoria está aberta ao diálogo e que a greve foi a última alternativa após muitas tentativas de negociação.
“A OS (Organização Social), que administra o hospital argumenta que depende de aporte financeiro do Estado e fica nesse jogo de empurra. A administração do hospital e qualquer empresa tem que estar a par e colocar em seus orçamentos a questão da reposição salarial, isso é fundamental. A enfermagem tem suas famílias, seus compromissos financeiros, é preciso que seja valorizada”, destaca.
ENTENDA
As negociações salarias iniciaram-se em março, quando o SIEMS enviou a pauta de reivindicações para o hospital, com destaque para o reajuste salarial.
Em abril, ocorreu a primeira reunião entre sindicato laboral e representantes da OS, não havendo consenso e 10 dias após, os gestores patronais responderam que dependiam de aporte financeiro do Estado para reajustarem os salários.
GERENCIAMENTO DO HOSPITAL
O contrato de administração é por meio OS (Organização Social), gerenciado pelo Instituto Acqua. Conforme contrato, o governo estadual deve repassar um total de R$ 269,9 milhões para que ocorra a administração do hospital, sendo que o valor mensal repassado é de R$ 4.499.907, 64.
ATENDIMENTO
O hospital atende população de mais de 200 mil habitantes dos oito municípios da região sul do Estado. A enfermagem atende a macrorregião, que engloba oito municípios do Estado e até mesmo pacientes que chegam dos países fronteiriços.





