Ação investiga esquema de transporte de entorpecente em viaturas oficiais em Campo Grande, Corumbá e no Paraná
A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (17) a segunda fase da Operação “Rota Blindada”, que investiga um esquema de tráfico de drogas entre Corumbá e Campo Grande com uso de viatura oficial e participação de diversos envolvidos, incluindo agentes públicos. Entre os alvos está o policial militar Lucas Villegas Campos, preso na última segunda-feira (13), suspeito de furtar carga de entorpecentes.
De acordo com o delegado Guilherme Sarian, a ação é um desdobramento de investigação iniciada no fim de janeiro deste ano, após a apreensão de entorpecentes em um galpão na região do Indubrasil, na Capital. Duas pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Militar.
A partir da apreensão, a Polícia Civil passou a investigar quem teria transportado a droga até Campo Grande. As apurações apontaram que o carregamento saiu de Corumbá e foi trazido por um policial penal, utilizando uma viatura oficial.
Essa descoberta deu origem à 1ª fase da operação em fevereiro deste ano, quando a equipe cumpriu mandados de prisão, inclusive contra Antônio Fernando Martins da Silva, policial penal apontado como dono da droga, além de apreender celulares e coletar depoimentos.
Segunda fase
Com o avanço das investigações, a análise do material apreendido revelou a participação de outros integrantes no esquema, levando à nova etapa da operação. Nesta fase, foram cumpridos mandados de prisão em diferentes regiões. Um suspeito foi preso em Corumbá, apontado como responsável por armazenar a droga, outro no Paraná, suspeito de ter cooptado o policial penal e mais três investigados em Campo Grande por envolvimento na logística do transporte e armazenamento.
Um dos alvos não foi localizado. Na residência dele foi apreendida quantidade significativa de cocaína. Na Capital, também teve mandado cumprido o policial militar Lucas Villegas Campos. Ele já estava preso por envolvimento no furto de carga de droga em uma casa no Bairro Parque dos Girassóis, no entanto, os casos não tem relação, segundo o delegado.
Lucas é suspeito de ter se apropriado de parte da droga que era transportada na viatura, ele teve mandado de prisão preventiva expedido. De acordo com o delegado Guilherme Sarian, há indícios de que o entorpecente não foi totalmente apreendido. “Temos elementos concretos de que a droga trazida de Corumbá não foi apreendida na integralidade”, afirmou.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer completamente a dinâmica do esquema, que envolve o transporte interestadual de drogas e possível participação de agentes públicos.
Coordenada pela Denar (Delegacia de Repressão ao Narcotráfico), a ação conta com equipes das delegacias especializadas de Repressão a Roubos e Furtos, de Homicídios e de Proteção à Pessoa, de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros.
A possível participação de outros policiais será apurada pela Corregedoria da Polícia Militar.
Estrutura do esquema
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas que incluía: armazenamento da droga na fronteira, transporte até a Capital, locação de galpão para descarregamento, monitoramento do local por “olheiros” e apoio logístico na distribuição.
Defesa
A defesa de dois dos presos nesta fase, Rodrigo Osório e Joel Lopes, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito policial, que tramita sob segredo de justiça. Segundo o advogado Cleiton Lopes, não é possível saber, até o momento, quais acusações recaem sobre os clientes.
“A gente não teve acesso ao processo para entender o que está sendo imputado a eles”, disse. De acordo com a defesa, a informação preliminar é de que ambos teriam participação limitada à logística envolvendo o galpão onde a droga foi descarregada.
O advogado também destacou que os dois não possuem relação próxima, apenas se conhecem profissionalmente — um é pintor automotivo e o outro mecânico.
Ainda conforme a defesa, não foram encontrados materiais ilícitos nas residências dos investigados durante o cumprimento dos mandados. “Não houve apreensão de drogas, armas ou valores. Apenas a prisão foi realizada”, afirmou.
Fonte: Campo Grande News (por Ana Paula Chuva e Bruna Marques)





