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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Entenda como a indústria de celulose em MS está empregando IAs, IoT e Gêmeos Digitais para otimizar a operação

Mato Grosso do Sul, maior polo de celulose do mundo, tornou-se laboratório vivo da Indústria 4.0. Nas megafábricas da Suzano e Eldorado Brasil, e com os projetos em implantação da Bracell e Arauco, tecnologias como Inteligência Artificial generativa, IoT Industrial, manutenção preditiva e Gêmeos Digitais recebem investimentos bilionários. O objetivo é claro: reduzir falhas, integrar o controle da floresta e da fábrica em tempo real e automatizar processos de manutenção para elevar a eficiência de toda a operação.

Enquanto o Brasil registrou produção recorde de 29,4 milhões de toneladas de celulose em 2025 (crescimento de 6,9% segundo a IBÁ), o diferencial competitivo em MS vem da forma como essas empresas integram as tecnologias mais atuais ao funcionamento cotidiano das plantas.

IA GENERATIVA COMO “COPILOTO” DOS OPERADORES

Uma das aplicações mais concretas é a IA generativa na linha de produção. Na unidade da Suzano em Três Lagoas, por exemplo, a assistente digital Ana MarIA (desenvolvido em parceria com a Microsoft) opera integrado ao Microsoft Teams. Ele consulta manuais técnicos, dados de equipamentos e históricos operacionais em tempo real para auxiliar os operadores na etapa crítica de cozimento da celulose (digestores do processo kraft).

A ferramenta fornece parâmetros, diagnósticos e recomendações instantâneas. Segundo a própria Suzano, a solução reduziu em até 30% o tempo de resolução de problemas nessa etapa, que representa grande parte dos custos de fabricação. Em vez de consultar volumosos manuais durante uma ocorrência, o operador recebe respostas contextualizadas imediatamente.

Diferente do aprendizado de máquina tradicional (baseado apenas em padrões históricos), a IA generativa interpreta perguntas em linguagem natural e gera respostas personalizadas a partir de grandes volumes de dados técnicos da fábrica.

IOT E SILVICULTURA DE PRECISÃO

Cada vez mais, o Brasil tem se adaptado à Indústria 4.0, com integração de tecnologias da chamada Internet das Coisas (IoT). Na silvicultura de precisão de MS, isso já é realidade.

Dentro do plantio, sensores monitoram em tempo real variáveis como umidade do solo, nutrientes, temperatura e condições climáticas. Imagens de satélite e georreferenciamento complementam os dados, permitindo decisões mais precisas de irrigação e colheita.

No florestal, a Eldorado Brasil por exemplo, utiliza desde 2024 a telemetria embarcada em mais de 200 máquinas e veículos florestais. Essa tecnologia permite rastreamento em tempo real e monitoramento remoto da frota, reduzindo custos logísticos.

Já dentro das fábricas, o Machine Learning (Aprendizado de Máquina) e sensores IoT viabilizam a manutenção preditiva. Esse processo se trata do monitoramento de equipamentos críticos (bombas, motores, digestores) por dados de vibração, temperatura e pressão. Isso ocorre através de algoritmos que identificam padrões anômalos e preveem falhas antes que elas ocorram, evitando paradas não programadas.

GÊMEOS DIGITAIS E O FUTURO DA SIMULAÇÃO INDUSTRIAL

Outro avanço em curso é o Gêmeo Digital. Se trata de uma réplica virtual completa da planta ou de processos específicos. Alimentado por dados reais de sensores, essa “cópia da fábrica em computador” permite simular mudanças operacionais, como ajustes químicos, variações de carga, otimizações energéticas, antes de aplicá-las no mundo físico. Na indústria de celulose, onde pequenas alterações impactam diretamente a qualidade e os custos da produção, essa ferramenta é especialmente poderosa.

Embora ainda em fase de expansão no Brasil, o conceito já é adotado por líderes globais como Stora Enso e UPM-Kymmene, na Finlândia e Suécia. No MS, a infraestrutura necessária (incluindo redes de baixa latência) está sendo avaliada e implementada gradualmente.

Entenda como a indústria de celulose em MS está empregando IAs, IoT e Gêmeos Digitais para otimizar a operação
Ilustração do uso dos Gêmeos Digitais (Digital Twin) para averiguação de processos de produção de celulose. (Foto: Adaptação de DC Studio/ Freepik)

IMPACTOS MULTIFACETADOS

A história da Revolução Industrial caminha lado a lado com a atualização das técnicas utilizadas. Por isso, inovar é fundamental. O setor de celulose, mais uma vez, demonstra como investir em tecnologia de ponta se traduz em qualidade. E o impacto dessas ferramentas não é singular.

Na produção, menos inatividade, redução de desperdícios, melhor aproveitamento da matéria-prima e previsão de falhas já se fazem realidade nas fábricas sul-mato-grossenses.

Na sustentabilidade, ajustes finos elevam ainda mais a eficiência no uso de água e energia, reduzem emissões e permitem a transformação de resíduos em insumos agrícolas.

Na geração de empregos, a digitalização não substitui o trabalhador, ela o valoriza. Ao automatizar tarefas repetitivas e predizer problemas, as empresas criam demanda por profissionais mais qualificados em áreas como análise de dados, manutenção avançada, operação de sistemas inteligentes e gestão de tecnologias 4.0. Em Mato Grosso do Sul, o Vale da Celulose já gera dezenas de milhares de postos diretos e indiretos. Com essas mudanças, a indústria investe em capacitação constante para que operadores atuem lado a lado com assistentes de IA e plataformas digitais.

O que antes era visão futurista agora faz parte da operação diária. Em Mato Grosso do Sul, empresas como Suzano, Eldorado, Bracell e Arauco estão transformando as fábricas em ambientes inteligentes. A digitalização deixou de ser um projeto isolado e tornou-se o novo padrão de funcionamento das plantas de celulose no estado.

Por João Pedro A. C. Oliveira

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