32.5 C
Três Lagoas
quarta-feira, 22 de abril de 2026

Rodar MS prevê redução de até 38% nos custos e recuperação da malha rodoviária

Com investimento de cerca de R$ 1,25 bi, governo aposta em novo modelo para baratear transporte e manutenção

O Governo de Mato Grosso do Sul projeta reduzir custos no transporte e na manutenção da malha rodoviária estadual com a implantação do programa Rodar MS, que começa a sair do papel com a contratação de empréstimo junto ao Banco Mundial BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). A proposta prevê a recuperação de praticamente 1 mil quilômetros de rodovias, com pavimento em melhores condições de trafegabilidade e custo até 38% menor em comparação ao modelo tradicional de gestão.

A iniciativa também deve gerar impacto direto no setor produtivo. A expectativa é de redução significativa nos custos operacionais do transporte de cargas, que podem cair em até quatro vezes, conforme estudos do próprio Banco Mundial, responsável por balizar o projeto. Além da economia, o programa incorpora critérios de segurança viária e conforto aos usuários.

O modelo adotado é o Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias), considerado inovador por integrar diferentes etapas em um único contrato. “A maior vantagem que Mato Grosso do Sul terá ao adotar o Crema é que a empresa contratada é quem irá executar o projeto executivo. Ela fecha o contrato através de um projeto básico e propõe o projeto executivo, que segue para aprovação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Daí é que ela [a empresa] executa os primeiros dos anos de restauração da rodovia”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.

Segundo o secretário, o modelo cria um incentivo direto à qualidade das obras. “Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção. Daí a vantagem da empresa fazer um ótimo projeto e uma excelente execução”, completa.

O Rodar MS prevê investimento total de US$ 250 milhões, sendo US$ 200 milhões financiados pelo Banco Mundial e US$ 50 milhões como contrapartida do Estado. Ao todo, 22 municípios serão impactados direta ou indiretamente, com destaque para 18 cidades da região leste, no Vale do Ivinhema, e outras quatro no Bolsão, região do Vale da Celulose.

No eixo principal do programa, que segue o modelo DBM (Design, Build, Maintain), serão contemplados 730,3 quilômetros de rodovias, sendo 686,4 km de trechos principais e 43,8 km de travessias urbanas, conforme detalhado nas tabelas do projeto. Entre os municípios atendidos estão Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Brasilândia, Deodápolis, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Ivinhema, Jateí, Naviraí, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu e Vicentina, com intervenções em diferentes rodovias estaduais.

Nesse modelo, os contratos terão duração de 10 anos e incluem desde a elaboração do projeto até a execução das obras e manutenção. O pagamento às empresas será condicionado ao cumprimento de indicadores de desempenho, o que significa que não depende apenas da execução, mas também da qualidade dos serviços prestados.

Já na região do Bolsão, o programa será executado por meio de Parceria Público-Privada (PPP), com contratos de 30 anos. Nesse caso, serão atendidos 208,7 quilômetros das rodovias MS-377 e MS-240, nos trechos entre Água Clara, Inocência e Paranaíba. A empresa responsável deverá garantir condições adequadas de tráfego e segurança ao longo de todo o período contratual.

O Rodar MS também inclui ações voltadas à segurança viária no entorno de escolas públicas. Ao todo, 24 unidades de ensino estaduais e municipais receberão intervenções para melhorar a acessibilidade e reduzir riscos de acidentes. As medidas incluem melhorias para travessia de pedestres, organização do tráfego e adequações que beneficiam estudantes, profissionais da educação e a comunidade.

De acordo com o projeto, as intervenções permitirão deslocamentos mais seguros para pedestres e ciclistas, além de promover inclusão. Um diagnóstico técnico também será realizado para orientar a aplicação dos recursos com base em evidências, priorizando áreas mais críticas. Com isso, o governo espera não apenas melhorar a infraestrutura rodoviária, mas também reduzir custos logísticos, aumentar a segurança e otimizar o uso de recursos públicos ao longo dos próximos anos.

Fonte: Campo Grande News (por Jhefferson Gamarra)

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.