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Três Lagoas
sexta-feira, 24 de abril de 2026

Logística expõe gargalos históricos e pressiona rodovias no Vale da Celulose

Crescimento acelerado da indústria de celulose amplia o fluxo nas estradas, expõe atrasos históricos em obras e acende alerta para riscos e gargalos logísticos em MS

O avanço da indústria de celulose na Costa Leste de Mato Grosso do Sul trouxe desenvolvimento econômico e novos investimentos bilionários, mas também escancarou um problema antigo: a precariedade da infraestrutura rodoviária.

Trechos estratégicos, especialmente da BR-262, seguem sobrecarregados, perigosos e longe de atender à demanda atual.

Apelidada há anos de “rodovia da morte”, a BR-262 no trecho entre Três Lagoas e Campo Grande é um dos principais corredores logísticos do Estado.

Desde a instalação da antiga Votorantim Celulose e Papel, há quase duas décadas, já se discutia a necessidade de duplicação da via. No entanto, passados cerca de 18 anos, a obra segue incompleta.

Ex-ministro Carlos Marun esteve em Três Lagoas em agosto de 2018 para lançar a obra de melhorias da BR 262, porém por falta de verbas o projeto não foi concluído

Durante o governo do ex-presidente Michel Temer, houve o lançamento da duplicação e início de intervenções, como implantação de terceira faixa em alguns trechos. Mas, por falta de recursos, as obras foram paralisadas.

Desde então, o DNIT tem realizado apenas ações paliativas, como operações tapa-buraco.

Enquanto isso, o fluxo de veículos pesados só cresce. A expansão da Suzano em Ribas do Rio Pardo multiplicou o tráfego de caminhões. Agora, com o Projeto Sucuriú, em Inocência, e novos empreendimentos como o da Bracell em Bataguassu, a tendência é de aumento ainda maior na circulação de cargas.

Logística expõe gargalos históricos e pressiona rodovias no Vale da Celulose

CONSÓRCIO PROMETE MELHORIAS, MAS SEM DUPLICAÇÃO TOTAL

Para enfrentar esse cenário, foi criado o consórcio “Caminhos da Celulose”, que assumirá a gestão de 870 km de rodovias estaduais e federais, incluindo trechos das MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267. O contrato prevê investimentos de cerca de R$ 10 bilhões ao longo de 30 anos.

Entre as melhorias anunciadas estão:

* 115 km de duplicações

* 457 km de acostamentos

* 245 km de terceiras faixas

Apesar disso, especialistas e usuários apontam que as medidas ainda são insuficientes diante do volume de tráfego projetado. No caso da BR-262, por exemplo, a duplicação completa segue fora do escopo principal, o que gera preocupação.

OUTRAS RODOVIAS TAMBÉM PREOCUPAM

A situação crítica não se limita à BR-262. Outras rodovias estratégicas apresentam problemas graves:

* BR-267: Liga Bataguassu ao restante do Estado e apresenta trechos em condições precárias, com intenso tráfego de caminhões.

* MS-040: Conecta Santa Rita do Pardo a Campo Grande e registra alto índice de acidentes, especialmente envolvendo animais na pista, devido à ausência de estruturas adequadas.

* MS-395: Entre Brasilândia e Bataguassu, carece de acostamentos, aumentando o risco de colisões.

* MS-338: Também demanda intervenções urgentes para suportar o fluxo logístico crescente.

DESENVOLVIMENTO X SEGURANÇA

O crescimento da cadeia da celulose transformou Mato Grosso do Sul em um dos principais polos do setor no país. No entanto, a infraestrutura rodoviária não acompanhou esse ritmo.

O resultado é um cenário de risco constante para motoristas, trabalhadores do transporte e moradores da região. Acidentes frequentes, pistas desgastadas e ausência de duplicações mostram que o Estado ainda corre atrás de um atraso histórico.

Com o início das operações do consórcio, a expectativa é de que as melhorias avancem. Mas, para muitos, o desafio será recuperar o tempo perdido e garantir que o desenvolvimento econômico não continue sendo acompanhado por tragédias nas estradas.

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