Suspeita inicial é de que chamas começaram após raio na região da Curva do Leque, em Corumbá
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul combatem, desde quinta-feira (23), um incêndio florestal na região da Curva do Leque, no Pantanal do Nabileque, área rural de Corumbá. Nesta sexta-feira (24), os trabalhos continuam em meio à dificuldade provocada pelo comportamento imprevisível das chamas.
Segundo o sargento André Eduardo Marti, a suspeita inicial é de que o fogo tenha sido provocado por raio. Ainda assim, o avanço do incêndio no Pantanal segue dinâmica diferente da observada em outras regiões.
“O fogo no Pantanal tem uma característica que não é normal. Ele não vai só em linha. De repente, o foco aparece em outra parte, parece que alguém colocou fogo, mas ele surge sozinho”, explicou o militar.
De acordo com ele, há situações em que o incêndio consegue atravessar até mesmo o Rio Paraguai. “Quando está queimando em uma margem, ele consegue pular para a outra. E olha que o rio tem mais de 500 metros de extensão”, relatou.
Na região da Curva do Leque, os bombeiros tentam evitar que as chamas avancem da área de pastagem para os capões de mata fechada, que concentram vegetação mais densa e dificultam ainda mais o combate.
Outro desafio é o chamado fogo rasteiro, quando as chamas seguem baixas e quase imperceptíveis. “Você não consegue identificar a linha de fogo. Ele vai rasteiro e, quando encontra uma grande massa de vegetação seca, eclode”, detalhou Marti.
As equipes também enfrentam problemas de acesso. Em alguns trechos, o deslocamento até os focos precisa ser feito por trator, por causa da distância e das condições do terreno.
Preocupação ambiental
O novo incêndio ocorre poucos meses após outro episódio mobilizar equipes em Corumbá. Em janeiro deste ano, focos na região do Nabileque e da Baía do Tuiuiú provocaram cortina de fumaça, redemoinho e exigiram monitoramento contínuo em áreas de difícil acesso.
Embora Mato Grosso do Sul tenha registrado forte queda nas queimadas em 2025, órgãos ambientais já alertavam para risco em 2026 devido à vegetação acumulada após os incêndios severos de 2024 e ao período prolongado de estiagem.
O combate segue sem previsão de encerramento. O Corpo de Bombeiros orienta que a população evite o uso do fogo em áreas de vegetação e acione o telefone 193 em casos de emergência.
Fonte: Campo Grande News (por Gabi Cenciarelli)





