Custos permanecem alto por tonelada e reduzem o valor recebido no campo
Mesmo sem uma alta generalizada como a observada em Mato Grosso, o frete rodoviário em Mato Grosso do Sul continua elevado e pressionando o custo da produção. Levantamentos mostram que rotas importantes do Estado seguem próximas de R$ 300 por tonelada, patamar considerado alto para o setor.
A variação recente foi irregular. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, Chapadão do Sul teve queda de cerca de 8%, enquanto Maracaju registrou leve alta de 1%. Ainda assim, os preços se mantiveram em níveis elevados. Em fevereiro, os valores voltaram a subir e chegaram a R$ 300 por tonelada em Chapadão do Sul e R$ 276 em Maracaju.
Para o analista de economia da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja e Milhos de Mato Grosso do Sul), Mateus Fernandes, isso mostra que o problema deixou de ser pontual. “Ambos os corredores permanecem em níveis historicamente altos, com oscilações frequentes próximas a R$ 300 por tonelada, o que reforça a percepção de um frete estruturalmente caro”, afirma.
A pressão voltou a aumentar em março, quando o frete rodoviário no Brasil subiu cerca de 3,36%, puxado pelo diesel e pela demanda no escoamento da soja. Segundo o analista, o cenário ainda pode piorar. “Os custos seguem elevados e com possibilidade de alta de acordo com que se prolonguem os conflitos geopolíticos, o que representa um cenário até mais desafiador para o produtor”, diz.
O impacto é direto na renda de quem está no campo. “O frete elevado reduz o preço líquido recebido, funcionando como um desconto sobre a cotação”, explica Mateus.
No milho, o efeito tende a ser mais forte. “O atual nível de frete já projeta uma possível compressão de margem na colheita, especialmente porque o cereal tem menor valor por tonelada e maior sensibilidade ao custo logístico”, completa.
Além da demanda, o principal fator de sustentação dos preços é o combustível. “O diesel atingiu média de R$ 7,11 por litro em março no Mato Grosso do Sul, além de fatores externos, como as tensões no Estreito de Ormuz, que mantêm o petróleo valorizado e limitam quedas mais consistentes”, pontua.
Na prática, o frete deixou de ser apenas um custo operacional e virou fator de risco. “Em um cenário de volatilidade e custos persistentes, o frete se consolida como um dos principais fatores de risco econômico da safra”, resume o analista.
Fonte: Campo Grande News (por Kamila Alcântara)





