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terça-feira, 28 de abril de 2026

Educação empreendedora: ideias mobilizadoras que transformam além da sala de aula

De palestras a feiras em escolas, iniciativas do Sebrae/MS executadas pelo programa Cidade Empreendedora visam aprimorar habilidades que impactam toda a sociedade

O Dia da Educação, celebrado nesta terça-feira (28), reforça a importância do ensino e do seu papel essencial na transformação social. Em Mato Grosso do Sul, o Sebrae/MS desenvolve uma série de ações culturais e educativas por meio do programa Cidade Empreendedora, iniciativa presente em 36 municípios do estado e que contempla, em sua metodologia, um eixo voltado à atuação com profissionais da educação para fortalecer a implementação da Educação Empreendedora nas escolas.

Executado pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), e com as gestões municipais, o programa considera a Educação Empreendedora como um importante vetor de desenvolvimento local. A proposta é estimular competências empreendedoras em estudantes, professores e gestores escolares, contribuindo para a formação cidadã e para a construção de soluções sustentáveis dentro das próprias comunidades.

Nesse cenário, projetos que parecem simples tornam-se agentes de transformação: latinhas passam a ser recicladas, hortas comunitárias promovem aprendizado coletivo e geração de renda, e a vivência prática desperta o protagonismo dos alunos. A metodologia aplicada amplia o interesse não apenas das crianças, mas também de professores, gestores e da comunidade, incentivando uma nova forma de enxergar o empreendedorismo, a sustentabilidade e o futuro.

Municípios participantes do programa têm acesso à metodologia de ensino Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP): uma solução educacional do Sebrae voltada a estudantes do Ensino Fundamental, com foco no desenvolvimento de competências e comportamentos empreendedores, como criatividade, iniciativa, planejamento, sustentabilidade e ética. A proposta integra teoria e prática, na qual os alunos têm a oportunidade de vivenciar, na prática, experiências reais de empreendedorismo.

“As crianças traziam latinhas para a escola, vendiam o material, guardavam o dinheiro em uma poupança e, no final do ano, utilizavam o valor arrecadado para comprar os próprios presentes no Dia das Crianças”, relata Aldaci Alves Pereira Faganello, diretora do Centro de Educação Infantil Pequeno Príncipe, em Itaquiraí.

Em 2025, a gestora participou de uma capacitação sobre sustentabilidade, finanças e saúde. O aprendizado no treinamento, Aldaci aplicou no projeto “De Latinha em Latinha”, já executado na escola. A iniciativa passou a envolver, então, a direção escolar, professores, estudantes, além de empreendedores da comunidade que atuavam com materiais recicláveis.

“O projeto teve início em 2023 e continua até hoje. Nosso objetivo é despertar, desde cedo, o interesse das crianças pelo empreendedorismo, mostrando que para ganhar dinheiro é preciso esforço, cooperação, convivência em grupo e aprender a gastar de forma consciente. Temos muitas histórias para contar, especialmente sobre a professora que idealizou tudo isso”, complementa Aldaci.

Aprendizagem mútua

Alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a formação oferecida pelo Sebrae/MS permitiu que Aldaci compartilhasse os aprendizados com a equipe gestora da instituição, fortalecendo vínculos educacionais e estimulando novas práticas pedagógicas.

Esse movimento foi essencial para que a pedagoga Solange Fonseca dos Santos Souza, também atuante na escola, identificasse no método lúdico e interativo uma oportunidade de continuar desenvolvendo as habilidades comportamentais entre alunos, professores e famílias.

“O projeto ‘De Latinha em Latinha’ surgiu a partir de uma reflexão sobre problemas enfrentados pelo país, especialmente no verão, como a dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Percebemos que combater a doença também passa pela eliminação de focos de água parada, comuns em resíduos descartados de forma inadequada, como latinhas de alumínio”, explica Solange.

Segundo a educadora, o aprendizado acontece de forma mais eficaz quando a criança assume um papel ativo. “Levamos para a sala de aula questionamentos sobre onde descartar o lixo, o que é reciclagem e quais doenças estão relacionadas ao descarte incorreto desses materiais no meio ambiente”, afirma.

Com o apoio de outros professores, as crianças, com auxílio das famílias, passaram a levar latinhas para a escola. A cada entrega no ponto de coleta, recebiam um valor simbólico, depositado diariamente em um cofrinho. De modo que, depois, esses materiais recicláveis foram vendidos pelos professores para Usinas de Reciclagem.

“O objetivo foi reforçar a importância do trabalho coletivo, da poupança, da valorização dos profissionais da coleta seletiva e da aprendizagem por meio de novas atitudes. Criamos personagens que facilitaram a interação lúdica com o conteúdo. Tínhamos a Valquirinha – a bióloga que cuidava da sustentabilidade, a Super Lola (eu) – que interpretava uma heroína dos recicláveis e, a Poupancinha, uma figura que exemplifica o dinheiro de uma forma mais divertida para elas em contação de histórias”, detalha Solange.

Resultados promissores

Inicialmente, o projeto envolveu 25 crianças. Com a visibilidade alcançada, outras turmas aderiram à iniciativa, totalizando a participação de 110 crianças, com idades entre um e três anos. Esses impactos ultrapassaram os muros da escola, inspirando outras instituições de ensino, fortalecendo a atuação de catadores de materiais recicláveis e aproximando o comércio local.

“O projeto conquistou o segundo lugar na etapa estadual da 2ª edição do Prêmio Educador Transformador, realizado pelo Sebrae, na categoria Educação Infantil. Também incentivou o poder público a implementar a coleta seletiva no município. Ao todo, foram arrecadadas mais de 10 toneladas de materiais recicláveis, além da doação de um carrinho novo e uniformes para um casal que trabalha com reciclagem na cidade”, comemora Solange.

O JEPP

Aplicado no Ensino Fundamental, o JEPP tem como objetivo fortalecer a cultura empreendedora no ambiente escolar, incentivando sua continuidade ao longo da vida. A metodologia envolve gestores, equipes pedagógicas e alunos em desafios que estimulam competências empreendedoras e soluções criativas.

Em Coronel Sapucaia, a assessora pedagógica Regiani Peres França, que atua no eixo de Educação Empreendedora, e a secretária municipal de Educação, Roseni Martins Freitas, destacam que os materiais já foram recebidos e a expectativa é positiva.

“No ano de 2025 foram ministradas duas palestras para os docentes da rede municipal de ensino e também tivemos a apresentação da Trupe Guavira. Agora, em 2026, com as novas ações, queremos incentivar especialmente os alunos a deixarem de ser receptores passivos de informações para se tornarem protagonistas da própria aprendizagem, tomando decisões e assumindo responsabilidades”, afirmam.

Em Sete Quedas, o Núcleo Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação acompanha e articula as ações. Segundo a equipe, as iniciativas estão em fase inicial, sendo construídas de forma gradual e planejada, com foco no alinhamento institucional e na sensibilização da rede municipal de ensino.

“Entendemos que o projeto fortalece a cultura empreendedora no ambiente escolar, incentiva o protagonismo estudantil, apoia os professores com metodologias inovadoras e contribui para a formação de crianças e jovens mais preparados para os desafios pessoais, sociais e profissionais do futuro”, conclui Joselaine Dias de Lima Silva, professora do Núcleo Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de Sete Quedas. Além de Joselaine, esse núcleo é composto pelos professores Marcio Chiodi Gaspar e Silvania Milioli de Lima.

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