18.5 C
Três Lagoas
segunda-feira, 11 de maio de 2026

Indústria elenca mais de 30 medidas estratégicas para relação Brasil-EUA

Divididas em nove temas, propostas são fundamentais para avançar na agenda bilateral e ampliar investimentos, reduzir barreiras, fortalecer cadeias produtivas e impulsionar a competitividade 

Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta segunda-feira (11), um documento com mais de 30 medidas estratégicas para fortalecer a parceria entre Brasil e Estados Unidos. A Agenda Estratégica da Indústria Brasileira para os Estados Unidos será levada hoje aos debates entre setores público e privado do Brasil U.S. Industry Day, em Nova York. Para o setor produtivo, é fundamental avançar em uma agenda estruturada de cooperação para fortalecer a relação bilateral, considerada uma das mais relevantes para a economia brasileira.  

Os EUA são o maior investidor estrangeiro no Brasil e o principal destino das exportações industriais do país. Segundo a CNI, a complementaridade produtiva, a integração de cadeias de valor e o potencial de cooperação em áreas como energia, transformação digital, saúde, defesa e tecnologias avançadas reforçam a importância do aprofundamento do diálogo econômico bilateral.  

As recomendações da indústria foram divididas em nove temas: comércio e acesso a mercado; transformação digital; investimentos e ambiente de negócios; minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas; segurança energética e indústria de baixo carbono; complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial; defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual; formação de capital humano em altas tecnologias; e governança e diálogo institucional. 

Destaques da agenda: 

Comércio e acesso a mercado 

O setor defende a eliminação de barreiras tarifárias e não tarifárias, além da negociação de acordos setoriais e mecanismos de cooperação regulatória que diminuam custos e aumentem a competitividade das exportações do Brasil. Propõe também modernização aduaneira, digitalização de processos e maior interoperabilidade regulatória para facilitar o comércio entre os países. 

Transformação digital 

As propostas incluem programas bilaterais de inovação para conectar empresas, universidades e centros de pesquisa, além de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias emergentes aplicadas à produtividade, descarbonização e inserção do Brasil em cadeias globais de alto valor.  

Investimentos e ambiente de negócios 

Entre os destaques estão a negociação de um acordo para evitar dupla tributação (ADT) e fortalecer a parceria econômica, o fortalecimento dos mecanismos de proteção a investimentos e a harmonização de regras de propriedade intelectual. 

Minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas  

O objetivo é fomentar investimentos, inovação tecnológica e integração de cadeias produtivas ligadas à exploração, ao processamento e à transformação de minerais essenciais à transição energética, à segurança alimentar e à produção industrial com alto valor agregado.  

Segurança energética e indústria de baixo carbono 

A CNI quer aprofundar parcerias em hidrogênio de baixa emissão, biocombustíveis e soluções de captura e armazenamento de carbono (CCUS). A proposta inclui coordenação regulatória internacional, fortalecimento da liderança dos dois países no mercado global de biocombustíveis e ampliação do financiamento para projetos de resiliência energética. 

Complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial 

A intenção é ampliar a cooperação em pesquisa e produção local de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos (IFAs), aproximar Anvisa e FDA em questões regulatórias e estimular investimentos em manufatura farmacêutica, biotecnologia e dispositivos médicos.  

Defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual 

O destaque é o fortalecimento da cooperação em tecnologias avançadas e setores de uso dual – civil e militar – como comunicações, biotecnologia, drones, segurança cibernética, sistemas autônomos e materiais avançados. A proposta inclui ampliar parcerias em defesa, desenvolver soluções conjuntas para segurança de fronteiras e aprofundar a cooperação aeroespacial – além de assinar o Acordo de Aquisição de Defesa Recíproca (RDPA). 

Formação de capital humano em altas tecnologias 

A proposta central é aproximar instituições do Brasil e dos EUA de ensino técnico, tecnológico e universitário para formação de profissionais com foco na indústria avançada. A agenda prevê o intercâmbio de pesquisadores, programas de atração de talentos e criação de centros binacionais em áreas como IA, computação quântica, materiais avançados e biotecnologia. 

Governança e diálogo institucional 

A CNI que um plano bilateral anual, com metas, indicadores e acompanhamento contínuo do setor público e privado. É importante reativar mecanismos de alto nível para garantir coordenação contínua em temas como defesa, energia, inovação, finanças e economia digital. 

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.