Justiça reconhece legitimidade do movimento paredista e fortalece mobilização de trabalhadores em Três Lagoas
O movimento paredista realizado por trabalhadores da Estima Engenharia, empresa terceirizada que presta serviços na usina hidrelétrica da CTG, em Três Lagoas, ganhou ainda mais força nesta semana após decisão da Justiça do Trabalho reconhecer como legítima a manifestação dos colaboradores.

Desde a última terça-feira (05), dezenas de trabalhadores permanecem mobilizados em frente à Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias, conhecida como Usina do Jupiá, cobrando direitos e reivindicações que, segundo eles, vêm sendo prometidos há anos, mas nunca foram efetivamente cumpridos pela empresa.
A paralisação envolve funcionários da Estima Engenharia, responsável por serviços dentro da unidade da CTG. Conforme representantes sindicais, a companhia chinesa dona da usina não possui envolvimento direto nas reivindicações trabalhistas apresentadas pelos colaboradores.
Sindicato atuante
Ao lado dos trabalhadores, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada (Sintiespav) acompanha o movimento desde o início. Segundo João Andrade, o protesto é resultado de anos de cobranças sem respostas concretas.
“Os trabalhadores vêm pedindo melhorias há cerca de três anos. Plano de saúde, PLR, ajuda de custo e outras reivindicações sempre foram prometidas, mas nunca saíram do papel. Chega uma hora que o trabalhador cansa”, afirmou.

Ainda conforme o sindicato, cerca de 660 trabalhadores aderiram ao movimento em Três Lagoas, enquanto equipes de Ilha Solteira seguem atuando normalmente.
Justiça considera movimento legítimo
O caso acabou sendo levado à Justiça após a empresa tentar derrubar a paralisação, alegando suposto abuso por parte dos trabalhadores. No entanto, a decisão inicial da Justiça do Trabalho foi favorável aos manifestantes.
O desembargador federal do trabalho Cesar Palumbo Fernandes, no documento nº 00243721420265240000, reconheceu que a manifestação ocorre dentro da legalidade e não identificou abusividade no movimento realizado pelos trabalhadores.
A decisão foi recebida como uma importante vitória pelos funcionários e fortaleceu ainda mais a mobilização em frente à usina.
“Ele deixou claro que não viu abuso nenhum na manifestação. Ou seja, a Justiça entendeu que os trabalhadores estão reivindicando direitos legítimos”, destacou João Andrade.
Entre os trabalhadores mobilizados está o mecânico industrial Gilson Pérez, que atua há quase quatro anos na unidade e relata desgaste diante das sucessivas promessas não cumpridas.
“Estamos aqui buscando apenas nossos direitos. Somos profissionais qualificados, fazemos um trabalho importante de modernização das máquinas da usina e queremos apenas reconhecimento e respeito”, afirmou.
Segundo os trabalhadores, o serviço executado na unidade envolve a modernização das máquinas da hidrelétrica, atividade considerada essencial para o funcionamento da usina.

Enquanto aguardam novos desdobramentos das negociações, os trabalhadores seguem mobilizados em frente à CTG, na expectativa de que a empresa apresente uma proposta capaz de encerrar o impasse.
O clima no local permanece pacífico, acompanhado de perto pelo sindicato e agora respaldado por uma decisão judicial que reconhece a legitimidade da manifestação.

Por: Pollyanna Eloy





