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quarta-feira, 13 de maio de 2026

MS teve mais de 1 milhão de hectares em cicatrizes de megaincêndios

Novo módulo do MapBiomas aponta pressão simultânea de fogo, seca e fragmentação sobre vegetação nativa

As maiores cicatrizes de queimadas registradas em Mato Grosso do Sul concentraram, sozinhas, mais da metade de toda a área atingida pelo fogo em 2024. Dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo MapBiomas mostram que incêndios acima de 100 mil hectares responderam por 58,3% da área queimada identificada no Estado.

Foram 1,05 milhão de hectares consumidos apenas nessa faixa de megaincêndios. Outras cicatrizes entre 50 mil e 100 mil hectares somaram mais 203 mil hectares. Ou seja, quase 70% de toda a área atingida pelo fogo em Mato Grosso do Sul no ano ficou concentrada em incêndios de enorme escala.

Os dados fazem parte do novo módulo de degradação do MapBiomas e ajudam a mostrar uma transformação ambiental que vai além do avanço das queimadas. A plataforma também aponta redução da superfície de água nas últimas décadas, avanço agropecuário sobre o território estadual e aumento da fragmentação da vegetação nativa.

A série histórica do fogo indica que 2024 aparece entre os períodos mais severos desde 1985, aproximando-se dos maiores picos já registrados no Estado. Ao mesmo tempo, a superfície de água recuou de áreas que chegaram a ultrapassar 1,5 milhão de hectares no fim da década de 1980 para patamares próximos de 500 mil hectares nos anos mais recentes.

Hoje, segundo o MapBiomas, a agropecuária ocupa 58,1% da cobertura de Mato Grosso do Sul. As áreas de floresta representam 22% do território monitorado. O levantamento também mostra que 6,7 milhões de hectares passaram por transições de cobertura natural para agropecuária ou áreas não vegetadas entre 1985 e 2024.

O novo módulo revela ainda crescimento acelerado da fragmentação da vegetação nativa em todo o país. O número de fragmentos passou de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023, alta de 163% em 38 anos.

“Quanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa, maior será a suscetibilidade à degradação”, afirma Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas.

“Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais dessas espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda”, detalha.

O Pantanal aparece entre os biomas brasileiros com maior avanço da fragmentação nas últimas décadas. Segundo o levantamento, o aumento chegou a 350% entre 1986 e 2023. Nesse mesmo período, o tamanho médio dos fragmentos pantaneiros caiu 80%, passando de 1.394 hectares para 278 hectares.

Segundo o MapBiomas, degradação é diferente de desmatamento. Enquanto no desmatamento a vegetação é removida, na degradação ela permanece na área, mas sob pressão contínua causada por fogo frequente, fragmentação, efeito de borda e perda de resiliência ecológica.

“O monitoramento da degradação complementa o monitoramento do desmatamento”, afirma Eduardo Vélez, pesquisador do MapBiomas. “A degradação de um remanescente de vegetação nativa muitas vezes pode ser minimizada ou revertida. Porém, se as causas da degradação não forem interrompidas, a capacidade de recuperação biológica natural das áreas afetadas pode ficar muito comprometida”, termina

Fonte: Campo Grande News

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