Com mais de 30% das obras executadas, ramal ferroviário próprio da companhia já conta com locomotivas entregues e 721 vagões adquiridos para escoar produção até o Porto de Santos
As obras da ferrovia do Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, em Inocência, município vizinho a Três Lagoas, avançam dentro do cronograma e consolidam um diferencial inédito no setor de celulose brasileiro: a operação logística própria por modal ferroviário desde o início das atividades industriais.

O empreendimento integra o maior investimento da história da companhia, estimado em US$ 4,6 bilhões — cerca de R$ 25 bilhões — e prevê não apenas a construção da fábrica, mas também uma estrutura logística robusta para garantir eficiência no escoamento da produção até o Porto de Santos (SP).
AVANÇO DA INFRAESTRUTURA FERROVIÁRIA
O projeto ferroviário contempla a implantação de 45 quilômetros de ferrovia privada conectados à Malha Norte da Rumo Logística, permitindo o transporte direto da celulose até o principal corredor de exportação do país. Atualmente, a obra do ramal já ultrapassa 30% de execução.

As equipes atuam na fase de infraestrutura, com foco na terraplanagem e preparação do solo, etapa considerada fundamental para receber os trilhos e dormentes. As próximas fases incluem a conclusão dos serviços de movimentação de terra, o início do recebimento dos materiais ferroviários e, posteriormente, a execução da superestrutura da ferrovia.
“O papel aceita tudo, mas é na frente de serviço que a obra acontece”, destacou um dos coordenadores envolvidos no projeto ferroviário, ao reforçar o compromisso da empresa com planejamento, qualidade e execução em campo.
LOGÍSTICA PRÓPRIA E INVESTIMENTO EM FROTA
A Arauco será a primeira empresa do setor de celulose no Brasil a iniciar suas operações já com uma logística férrea própria estruturada. Para isso, a companhia já adquiriu uma frota de 26 locomotivas modernas da fabricante Wabtec, cujas primeiras unidades já começaram a ser entregues.
Além disso, a empresa firmou contrato de aproximadamente R$ 770 milhões com a Randoncorp para a fabricação de 721 vagões destinados ao transporte da produção de celulose. Cada composição ferroviária terá capacidade para transportar até 9,6 mil toneladas.
A operação prevê a circulação diária de trens com cerca de 100 vagões cada, realizando viagens de aproximadamente 1.050 quilômetros até o litoral paulista. A expectativa é que até 98% da produção da nova planta seja destinada à exportação, principalmente para China, Europa e América do Norte.
REDUÇÃO DE CAMINHÕES E IMPACTO AMBIENTAL
Com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose, a unidade terá um escoamento diário estimado em 9,6 mil toneladas.
O uso do modal ferroviário também representa um impacto significativo na logística regional e no meio ambiente. Segundo a empresa, a operação deverá substituir cerca de 190 viagens diárias de caminhões, retirando aproximadamente 7 mil viagens mensais das rodovias.

A estimativa é de redução de até 94% nas emissões de CO₂ em comparação ao transporte rodoviário movido a diesel, além da diminuição do fluxo pesado nas estradas e ganhos em segurança viária.
Como parte das compensações ambientais, a companhia firmou acordo com o Imasul para investir R$ 4,3 milhões em ações de recuperação e conservação ambiental.
CRONOGRAMA E GERAÇÃO DE EMPREGOS
As obras da fábrica tiveram início em 2024, com previsão de entrada em operação até o fim de 2027. Durante a fase de construção, o projeto deve gerar cerca de 14 mil empregos. Na operação, serão aproximadamente 6 mil postos permanentes — número superior à atual população de Inocência.






