Com foco na aprendizagem de programação no ensino fundamental, pesquisa participou da maior competição de engenharia do mundo
A elaboração de material didático voltado à aprendizagem de programação no ensino fundamental deu origem a uma pesquisa desenvolvida no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e apresentada na edição 2026 da Regeneron ISEF, a maior competição científica e de engenharia pré-universitária do mundo.
O evento, realizado em Phoenix, Estados Unidos, terminou no dia 15, e reuniu 1.700 jovens cientistas, engenheiros, empreendedores e inventores, de mais der 60 países.
O trabalho – desenvolvido no Campus Nova Andradina e intitulado ‘Resgatando coelhos e formas geométricas: o pensamento computacional no 2º e 3º anos do ensino fundamental’ – foi credenciado para o evento internacional na edição 2025 da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), realizada em Novo Hamburgo (RS).
Na ocasião, a pesquisa conquistou o 3° lugar na categoria ‘Educação e Humanidades’, além do Prêmio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a credencial para o evento em solo estadunidense.
O projeto de pesquisa, com título de ‘O pensamento computacional como prática pedagógica: uma proposta de material didático concreto para a aprendizagem de programação nas séries iniciais do ensino fundamental’, foi financiado por meio da chamada pública 10/2023, do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).
Com execução nos anos de 2023 e 2024, o projeto contou com a participação de estudantes do ensino técnico integrado, que receberam bolsa para realização da pesquisa.
Projeto
Foi realizado em diferentes etapas, que incluíram levantamento teórico; construção e aplicação do material didático; e entrevista e análise dos resultados obtidos. A aplicação foi feita junto à Rede Municipal de Nova Andradina, com estudantes do do 2º e 3º anos do ensino fundamental.
Os materiais confeccionados foram baseados em algoritmos como objeto de conhecimento, atendendo a habilidades estabelecidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de acordo com o ano escolar correspondente. São desafios de percurso, que deve ser realizado em um tabuleiro por meio de cartas de comando e peças 3D.
“Os materiais didáticos tiveram boa aceitação, com fácil compreensão dos seus elementos e relativo despertar de interesse dos estudantes para os conceitos trabalhados”, explica o orientador Claudio Sanavria.
“A aplicação teve duração de duas horas e meia em cada turma e os resultados obtidos apontam que boa parte dos estudantes compreendeu o objetivo dos materiais, além de conseguir cumprir com os desafios propostos, mesmo sem um contato prévio com atividades que trabalhassem o pensamento computacional”, relata o orientador da pesquisa e docente de Análise de Sistemas, Claudio Zarate Sanavria.
“Podemos afirmar que os materiais tiveram boa aceitação, com fácil compreensão dos seus elementos e relativo despertar de interesse dos estudantes para os conceitos trabalhados. A partir dos resultados obtidos é possível vislumbrar vários caminhos de trabalhos futuros, seja com o aperfeiçoamento e elaboração de novos materiais, assim como a formação de professores e pesquisas que analisem a fundo questões relacionadas à aprendizagem”, complementa o docente.
Evento internacional
As egressas do curso técnico integrado em Informática do IFMS, Julia Fuso e Valentina Soares, foram as responsáveis por apresentar o trabalho no evento estadunidense. A trajetória de desenvolvimento da pesquisa, desde a idealização e aplicação em escolas de Nova Andradina até a apresentação em eventos como a Mostratec e a Regeneron ISEF, proporcionou novas experiências às jovens.
“A experiência nos Estados Unidos foi muito proveitosa, parece que a ficha ainda não caiu. Passamos a ter uma nova ‘família’ a cada feira, o que é incrível. A participação é algo extraordinário e faz com que você tenha a sensação de fazer parte de um evento enorme como esse, além de poder conhecer pessoas de todos os lugares do mundo”, relata Júlia.
“É uma oportunidade única que nos permite conhecer novas pessoas e pesquisas, além de descobrirmos uma nova cultura. Também é um reconhecimento por algo que fizemos com tanto esforço, sendo que podemos, por meio das feiras, discutir e apresentar nossa inovação”, destaca Valentina.
Apoio institucional
A participação do IFMS na Regeneron ISEF 2026 foi viabilizada por meio de ajuda de custo para as estudantes participarem do evento, além de passagens e diárias para o professor orientador. A ida da deleção do IFMS à Mostratec também contou com auxílio institucional.
“Reafirmamos a sólida cultura científica que temos consolidado institucionalmente, através das feiras científicas, programas de iniciação científica e ações institucionais”, destaca o pró-reitor Edvanio Chagas.
“Esses resultados, com trabalhos do Instituto Federal sendo frequentemente credenciados para feiras nacionais e internacionais, como nesta edição da Regeneron ISEF 2026, demonstram a excelência da produção científica de nossos estudantes e servidores”, comenta o pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação, Edvanio Chagas.
“Dessa forma, reafirmamos a sólida cultura científica que temos consolidado institucionalmente, fruto do fortalecimento contínuo de nossas feiras científicas, programas de iniciação científica e ações institucionais de pesquisa e inovação”, ressalta.
Feira
A Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) é uma feira realizada anualmente e chegou neste ano à 75ª edição. A competição, que abrange 22 categorias, distribuiu mais de R$ 35 milhões em prêmios.
O evento é promovido pela Society for Science, organização sem fins lucrativos sediada em Washington, Estados Unidos. Mais informações estão disponíveis na página da Regeneron ISEF.








