30.5 C
Três Lagoas
terça-feira, 26 de maio de 2026

Após cruzar oceanos, “coração” da maior fábrica de celulose do mundo é instalado no Projeto Sucuriú

Peça de mais de 320 toneladas, fabricada na China e transportada por 48 dias entre o Porto de Santos e Inocência, foi içada a quase 100 metros de altura em uma megaoperação de engenharia que marca uma nova fase do Projeto Sucuriú, da multinacional chilena Arauco

Depois de atravessar o mundo em uma jornada logística monumental, o equipamento considerado o “coração” de uma fábrica de celulose finalmente chegou ao seu destino definitivo na manhã desta terça-feira (26), em Inocência, no Mato Grosso do Sul. Em uma operação de alta complexidade, o balão de vapor da caldeira de recuperação do Projeto Sucuriú, da multinacional chilena Arauco, foi içado e instalado no topo da maior caldeira de recuperação já construída no planeta para o setor de celulose.

A estrutura, com mais de 320 toneladas,  peso equivalente a cerca de 200 carros ou duas Estátuas da Liberdade, suspensos de uma única vez —, a instalação exigiu meses de planejamento, estudos técnicos, análises de segurança e uma operação de alta precisão.

LOGÍSTICA

Antes de chegar o projeto, a estrutura percorreu milhares de quilômetros desde a China até o Brasil. A travessia marítima durou cerca de 45 dias. Depois, iniciou outra etapa igualmente desafiadora: o transporte terrestre entre o Porto de Santos (SP) e Inocência (MS), concluído após 48 dias de deslocamento por rodovias brasileiras.

O içamento mobilizou mais de uma centena de profissionais, além de equipes especializadas, engenheiros e dois guindastes com capacidade para erguer até 750 toneladas. A peça foi posicionada a quase 100 metros de altura, em uma das operações de engenharia mais complexas já realizadas no Brasil em 2026.

CORAÇÃO

O balão de vapor é considerado o “coração” da fábrica porque será responsável por uma etapa essencial da geração de energia da futura planta industrial. É nele que ocorrerá a separação entre água e vapor produzidos pela caldeira de recuperação — processo fundamental para o funcionamento da unidade.

Após cruzar oceanos, “coração” da maior fábrica de celulose do mundo é instalado no Projeto Sucuriú
Detalhe da instalação do “coração” da nova fábrica da Arauco, com mais de 32 metros de comprimento. Foto: Divulgação/Arauco.

“Serão mais de 2.400 toneladas de vapor por hora”, explicou Claudinei Santos, diretor de Engenharia e Implantação do Projeto Sucuriú. Segundo ele, após passar pelos superaquecedores, o vapor seco seguirá para as turbinas responsáveis pela geração de energia elétrica renovável.

A futura fábrica terá capacidade para produzir mais de 400 megawatts de energia. Metade será utilizada no abastecimento da própria unidade industrial e o restante será destinado ao Sistema Interligado Nacional.

A instalação do equipamento marca uma nova fase do cronograma do Projeto Sucuriú, empreendimento que colocará Mato Grosso do Sul no centro de um dos maiores investimentos globais do setor de celulose. Prevista para entrar em operação no final de 2027, a fábrica da Arauco terá no balão instalado nesta terça-feira uma das estruturas mais estratégicas de toda a planta.

PLANEJAMENTO

Após cruzar oceanos, “coração” da maior fábrica de celulose do mundo é instalado no Projeto Sucuriú
A peça foi posicionada a quase 100 metros de altura, em uma das operações de engenharia mais complexas já realizadas no Brasil em 2026 Foto: Divulgação/Arauco.

Para garantir a segurança da operação, foram necessários meses de planejamento técnico, estudos estruturais, análises climáticas, cálculos de centro de gravidade, estabilidade e preparação do solo.

“Esta é uma etapa que traduz a complexidade e a grandeza deste empreendimento. Não se trata apenas da instalação de um equipamento de grande porte, mas de um marco que conecta planejamento, engenharia, segurança e execução”, afirmou Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.

A operação também foi destacada pela Valmet, fornecedora da caldeira de recuperação. Segundo Celso Tacla, vice-presidente executivo da empresa na América Latina, a entrega representa um marco tecnológico para o setor.

“Estamos falando de uma solução altamente tecnológica, desenvolvida para atender aos mais elevados padrões de eficiência, segurança e desempenho operacional”, afirmou.

DETALHES TÉCNICOS DO BALÃO

Com 32 metros de comprimento, 3,15 metros de largura e 3,81 metros de altura, o balão agora passa a integrar a gigantesca estrutura industrial que, no final de 2027, deverá entrar em funcionamento como a maior fábrica de celulose do mundo.

Sobre o Projeto Sucuriú

O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.

Em todas as fases desenvolvimento do Projeto, e de maneira contínua, monitora e respeita a biodiversidade local, identificando espécies de flora e fauna nativas da região, além de fazer o mapeamento das áreas prioritárias para conservação.

Durante as obras, a Arauco vai oferecer capacitação e gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do start up, o Projeto Sucuriú empregará cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial, Florestal e operações de Logística. O propósito é impulsionar o desenvolvimento social e econômico para toda região, fomentando um aumento na geração de renda e na arrecadação de impostos, além de contribuir para atrair investimentos.

Sobre a Arauco Brasil

No país desde 2002, a Arauco atua nos segmentos Florestal e de Madeiras com o propósito de, a partir da natureza e de fontes renováveis, contribuir com as pessoas e o planeta. Emprega mais de 3000 colaboradores próprios e conta com 5 unidades industriais brasileiras.

As plantas estão distribuídas entre a produção de painéis, em três fábricas localizadas nas cidades de Jaguariaíva (PR), Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS); painéis e molduras, na planta localizada em Piên (PR); resinas e químicos, na unidade de Araucária (PR) e, em 2027, prepara-se para inaugurar sua primeira fábrica de celulose brasileira em Inocência (MS).

Com atuação orientada por práticas ESG, a Arauco possui certificação FSC® (Forest Stewardship Council®) em suas florestas, que reconhece o manejo ambientalmente responsável, socialmente justo e economicamente viável. Globalmente e no país, opera primando pela gestão responsável da água, a conservação da biodiversidade e a retirada de gás carbônico da atmosfera.

Com informações da Assessoria

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.