Projeto-piloto envolve sete estados que concentram metade dos processos no país
Produtores rurais que entram em recuperação judicial devem ter processos mais rápidos nos próximos meses com o uso de tecnologia baseada em imagens de satélite e inteligência artificial. Na primeira fase do projeto, Mato Grosso do Sul e outros 6 estados serão contemplados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Ceará e Minas Gerais.
A novidade faz parte de um acordo entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério da Agricultura e será testada esses sete estados que, juntos, concentram cerca de 50% dos processos de recuperação judicial de produtores rurais no Brasil.
O cenário no Estado ajuda a explicar a escolha. Mato Grosso do Sul é hoje o 4º estado com mais pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Foram 216 solicitações em 2025, número 118% maior que em 2024, quando houve 99 registros.
A ferramenta reúne dados detalhados das propriedades rurais, como histórico das últimas cinco safras, condições de produção, clima, previsão de colheita e situação das lavouras. Tudo isso será usado pelos juízes na hora de decidir os casos.
Na prática, a proposta é tornar as decisões mais rápidas e seguras, além de reduzir custos. Em alguns casos, a tecnologia pode até substituir perícias tradicionais, que costumam ser demoradas e caras.
O aumento nos pedidos de recuperação judicial está ligado a um cenário de crédito mais restrito, custos elevados de produção e dificuldades no fluxo de caixa das propriedades rurais. Dados do setor também apontam queda no crédito rural no Estado, o que pressiona ainda mais os produtores.
O sistema deve começar a ser implementado nos próximos dias, com treinamento de magistrados e integração aos tribunais. Se os resultados forem positivos, a expectativa é expandir a ferramenta para todo o país.
Hoje, processos desse tipo envolvem análises complexas sobre produção, perdas e capacidade de pagamento. Com dados mais precisos e atualizados, a expectativa é evitar disputas prolongadas e dar mais clareza às decisões.
A iniciativa também busca dar mais segurança jurídica ao agronegócio, setor que tem forte peso na economia de Mato Grosso do Sul.
Fonte: Campo Grande News







