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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Brasil reforça liderança global na celulose e vê retomada acelerada nos EUA em 2026, puxada por Três Lagoas

Apelidada de “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas concentra duas das maiores plantas de fibra curta do planeta

O Brasil consolidou em 2025 sua posição como maior exportador mundial de celulose, embalado pela alta produtividade florestal e por um ciclo agressivo de modernização industrial. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o país embarcou 2,2 milhões de toneladas do produto no ano passado, alta de 13% frente a 2024. O resultado reforça o papel brasileiro como fornecedor estratégico de fibras vegetais para o mercado global.

A força do país é ainda mais evidente nos Estados Unidos. Hoje, 82% de toda a celulose de fibra curta, ou hardwood pulp, importada pelos americanos vem do Brasil. Apesar de a China permanecer como principal destino global, absorvendo 48% do volume total, os EUA mantêm o posto de segundo maior comprador da celulose nacional.

Tarifaço freou receita, não volume

O setor, porém, enfrentou turbulência em 2025. O “tarifaço” de 30% imposto pelo governo Donald Trump vigorou por cerca de três meses e derrubou em 21% o faturamento das vendas para os EUA, que recuou para US$ 1,3 bilhão. O volume físico, no entanto, permaneceu estável, indicando que os compradores americanos absorveram o impacto no preço, mas não substituíram o fornecedor brasileiro.

Capital Mundial da Celulose dita o ritmo

Brasil reforça liderança global na celulose e vê retomada acelerada nos EUA em 2026, puxada por Três Lagoas

Boa parte dessa resiliência vem de Mato Grosso do Sul, especialmente do eixo Três Lagoas-Ribas do Rio Pardo-Inocência. Apelidada de “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas concentra duas das maiores plantas de fibra curta do planeta.

1. Suzano Três Lagoas: com duas linhas em operação, a unidade tem capacidade de 3,25 milhões de toneladas/ano e emprega cerca de 3 mil pessoas diretas. A fábrica foi pioneira no uso de gás natural e opera com excedente energético de 180 MW, suficiente para abastecer uma cidade de 1,5 milhão de habitantes.

2. Eldorado Brasil instalada também em Três Lagoas, a planta produz 1,8 milhão de toneladas/ano em uma única linha, considerada uma das mais modernas e competitivas do mundo. A empresa mantém base florestal própria de 285 mil hectares de eucalipto em MS.

Juntas, as duas operações respondem por mais de 20% de toda a celulose exportada pelo Brasil  e fazem de Três Lagoas o município com maior PIB industrial per capita do Centro-Oeste. O setor florestal ocupa hoje mais de 1,2 milhão de hectares em MS, com 90% concentrados na região leste do estado.

A expansão continua. A Suzano inaugurou em julho de 2024 o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo, a 232 km de Três Lagoas. Com investimento de R$ 22,2 bilhões, é a maior linha única de celulose do mundo: 2,55 milhões de toneladas/ano e 3.000 empregos diretos na operação. Já em Inocência, a chilena Arauco confirmou o Projeto Sucuriú, de R$ 25 bilhões, para produzir 3,5 milhões de toneladas/ano no final de 2027.

Com os novos projetos, a região conhecida como “Vale da Celulose” deve superar 13 milhões de toneladas/ano de capacidade até 2030, o equivalente a quase 60% do volume que o Brasil exportou em 2025.

Os sinais de retomada já aparecem. O relatório “Monitor do Comércio BR-EUA”, da Amcham, aponta que o volume exportado aos Estados Unidos no primeiro quadrimestre de 2026 cresceu 7,7%. O destaque foi abril, com salto de 51% na quantidade embarcada em relação ao mesmo mês de 2025.

Para analistas entrevistados pelo Valor Econômico, a combinação de fim das tarifas, dólar favorável e entrada da nova capacidade de Ribas do Rio Pardo deve acelerar as vendas no segundo semestre. “O cliente americano testou o limite de preço em 2025 e não encontrou alternativa na mesma escala e custo. Agora, com a demanda de embalagens e papéis sanitários aquecida, a tendência é recompor estoques”, avalia um economista do setor ouvido pela reportagem.

Se confirmada, a trajetória coloca 2026 como ano de recorde não só em volume, mas também em receita, superando o período de instabilidade tarifária e consolidando o MS como principal polo de fibra curta do mundo.

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