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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Alívio para o Vale da Celulose: EUA poupam setor do tarifaço de 25% e MS protege fábricas

Isenção alcança fábricas de Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e futuros projetos em Inocência e Bataguassu

O governo dos Estados Unidos propôs um novo “tarifaço” de 25% sobre produtos brasileiros, mas recuou e isentou polpa de madeira química, papéis e madeiras para evitar desabastecimento interno. A medida traz alívio direto para o polo florestal de Mato Grosso do Sul, que concentra as maiores plantas de celulose do país e novos investimentos bilionários.

A decisão do USTR excluiu os códigos tarifários 4702 a 4706, que cobrem celulose de coníferas, não coníferas e fibras vegetais. Isso mantém a competitividade das operações já consolidadas e dos projetos em andamento no Estado:

Suzano Três Lagoas: Unidade com 3,25 milhões t/ano de celulose de eucalipto.

Suzano Ribas do Rio Pardo: Projeto Cerrado, em operação desde julho de 2024, adicionou 2,55 milhões t/ano à capacidade da companhia. É a maior linha única de celulose do mundo.

Eldorado Brasil: Planta de 1,8 milhão t/ano em Três Lagoas, com os EUA entre os principais destinos.

Arauco: Projeto Sucuriú em Inocência, com investimento de R$ 25 bilhões para 3,5 milhões t/ano. Obras já iniciadas.

Bracell: Além da base florestal em MS que abastece a unidade de Lençóis Paulista-SP, a empresa já anunciou planos de implantar uma nova fábrica de celulose em Bataguassu. O projeto integra a expansão da companhia no Bolsão Sul-Mato-Grossense.

Juntas, essas plantas formam o chamado “Vale da Celulose”, que já responde por mais de 40% da produção nacional de fibra curta.

A ofensiva americana veio de investigação da Seção 301 do USTR. Mesmo assim, a Casa Branca foi “cirúrgica” ao isentar a base florestal brasileira devido à forte demanda interna e dependência do fornecimento externo para não paralisar a própria economia. A isenção representa 90% do volume de celulose exportado pelo Brasil aos EUA.

Outros setores também escaparam: suco de laranja, aeronaves, energia e celulose. Café e cacau seguem com tarifa de 50%.

Mato Grosso do Sul é o segundo maior exportador de celulose do Brasil. Em 2024, as vendas para os EUA somaram US$ 1,55 bilhão. Com a tarifa de 10% retirada em agosto e a ameaça de 25% afastada agora, o setor projeta retomada após queda de 18,5% nos embarques totais para os EUA em agosto.

Para Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu, a isenção evita perda de mercado, mantém empregos diretos e indiretos e garante o cronograma de investimentos. “Se a celulose e os insumos de papel tivessem sido incluídos, os efeitos sobre toda a cadeia seriam severos”, apontou análise de mercado.

A proposta americana ainda passa por consulta pública. O USTR abrirá período para comentários do setor privado antes do relatório definitivo, previsto para 15 de julho. Até lá, os embarques de celulose, papel e madeira seguem normalizados.

Madeiras e móveis não tiveram a mesma sorte: permanecem com tarifas de 10% a 50%, dependendo do produto.

Para MS, o recado é claro: com Suzano em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, Eldorado em Três Lagoas, Arauco em Inocência e Bracell chegando a Bataguassu, o Estado consolida sua posição como principal polo global de celulose de eucalipto agora sem a ameaça do tarifaço americano.

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