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Três Lagoas
sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dia Mundial do Meio Ambiente reacende alerta sobre queimadas em Três Lagoas

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira (5) uma realidade preocupante continua chamando atenção em Três Lagoas: as queimadas urbanas que, além de destruírem áreas verdes, colocam vidas em risco, agravam problemas de saúde e deixam marcas profundas no meio ambiente da cidade.

Em meio às campanhas de conscientização e aos discursos sobre preservação ambiental, os incêndios registrados recentemente em Três Lagoas escancaram um problema que segue longe do fim. Os casos mais recentes e impactantes aconteceram no Buracão do Jupiá e na antiga seringueira da Vila Piloto, dois episódios que causaram revolta, preocupação e comoção entre moradores.

BURACÃO DO JUPIÁ

Na madrugada do dia 6 de maio, um incêndio de grandes proporções atingiu o Buracão do Jupiá, espaço utilizado para descarte de entulhos, galhadas e materiais volumosos. A área precisou ser interditada após as chamas tomarem conta do local. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), a suspeita é de que o incêndio tenha origem criminosa.

Equipes da própria secretaria e do Corpo de Bombeiros atuaram no combate às chamas e na contenção dos danos ambientais provocados pelo fogo. A situação acendeu um alerta sobre os riscos das queimadas em áreas urbanas justamente às vésperas do período de estiagem, quando a baixa umidade do ar favorece ainda mais a propagação dos incêndios.

FOGO NA SERINGUEIRA

Dias depois, outro episódio voltou a gerar indignação na cidade. Na madrugada do último dia 3, um incêndio atingiu uma antiga seringueira localizada no Bairro Vila Piloto. A árvore, considerada histórica por moradores da região e símbolo afetivo para muitas famílias do bairro, foi tomada pelas chamas em uma cena que causou tristeza e revolta.
A suspeita inicial também aponta para ação criminosa.

Além do dano ambiental, o incêndio provocou medo porque próximo à árvore existem diversas residências e uma unidade de saúde. Moradores acompanharam apreensivos o trabalho de combate ao fogo temendo que as chamas se espalhassem rapidamente e provocassem uma tragédia ainda maior.

Os dois casos simbolizam uma preocupação crescente em Três Lagoas. Enquanto o planeta volta os olhos para a importância da preservação ambiental, o município ainda enfrenta números alarmantes relacionados às queimadas urbanas.

NÚMEROS PREOCUPANTES

Dados da SEMEA mostram que somente em 2025 foram registradas 123 denúncias de queimadas urbanas na cidade, resultando em 44 notificações e 30 autuações.

Já em 2026, mesmo antes da chegada oficial do período mais seco do ano, o município já contabiliza 44 denúncias, além de 5 notificações e 17 autos de infração lavrados.

Os números revelam não apenas o aumento da fiscalização, mas também a persistência de uma prática que segue colocando em risco o meio ambiente e a saúde pública.

A fumaça provocada pelas queimadas agrava doenças respiratórias, provoca crises alérgicas, irritações nos olhos e aumenta os riscos para crianças, idosos e pessoas com problemas cardiovasculares. Além disso, o fogo ameaça residências, destrói áreas verdes, mata animais e compromete a qualidade do ar.

AÇÕES INTENSIFICADAS

A Prefeitura de Três Lagoas intensificou as ações de fiscalização e alerta que a prática é considerada crime ambiental. Conforme a legislação municipal, a multa para queimadas urbanas pode ultrapassar R$ 690 por lote incendiado, considerando o valor atualizado da UFIM em 2026.

A SEMEA destaca ainda que, quando não é possível identificar o autor do incêndio, a penalidade pode ser vinculada diretamente ao proprietário do terreno onde a queimada ocorreu. Em muitos casos, o dono do imóvel ainda pode receber duas multas: uma pela falta de limpeza e outra pela ocorrência da queimada.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a reflexão vai além das campanhas e mensagens nas redes sociais. Os incêndios recentes registrados em Três Lagoas mostram que preservar o meio ambiente não é apenas uma questão de consciência coletiva, mas também de responsabilidade.

Enquanto árvores históricas são consumidas pelas chamas e áreas urbanas sofrem com incêndios criminosos, a cidade enfrenta um desafio urgente: proteger o que ainda resta antes que a fumaça apague não apenas a vegetação, mas também a qualidade de vida da população.

DENÚNCIAS

As denúncias de queimadas podem ser feitas diretamente à SEMEA pelo telefone (67) 99277-8539, à Ouvidoria Municipal pelo número (67) 99213-6400 ou pelo site da ouvidoria pública. Em situações de flagrante, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Já em casos de incêndios que oferecem risco imediato, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.

Por: Pollyanna Eloy

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