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terça-feira, 16 de junho de 2026

Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagra operação que investiga esquema milionário de fraudes na judicialização da saúde

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou, nas primeiras horas desta terça-feira (16), a Operação “Neuro Complexus”, que apura um suposto esquema criminoso de fraudes envolvendo ações judiciais para obtenção de recursos públicos destinados à realização de procedimentos médicos de alta complexidade.

Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário. As investigações tiveram início após levantamento realizado pelo Núcleo Estratégico da Procuradoria de Saúde da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS), que identificou um padrão considerado suspeito em ações ajuizadas contra o Estado de Mato Grosso do Sul para custeio de neurocirurgias.

Após cerca de um ano e meio de investigação, a Polícia Civil apurou que o grupo investigado utilizava ações judiciais para obter decisões determinando o bloqueio de recursos públicos destinados ao pagamento de cirurgias e procedimentos médicos com valores superiores aos praticados no mercado.

Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagra operação que investiga esquema milionário de fraudes na judicialização da saúde
Foto: Divulgação

As investigações apontam que os mesmos profissionais da área médica apareciam de forma recorrente nas ações judiciais, atuando na elaboração de orçamentos, realização dos procedimentos e recebimento dos recursos públicos. Também foi constatado que, a partir de 2022, ao menos 40 ações foram ajuizadas pela mesma advogada com pedidos de bloqueio de verbas públicas para a realização de neurocirurgias consideradas urgentes.

Segundo a apuração, a atuação coordenada entre médicos, advogada, empresas da área da saúde e um intermediador, servidor público aposentado, teria proporcionado vantagem econômica indevida de R$ 6.529.208,57, causando prejuízo aos cofres públicos.

Nesta fase da investigação, a Polícia Civil busca reunir novos elementos de prova que possam confirmar a prática dos crimes de organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de eventuais sanções de natureza ético-disciplinar.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares, cartões de memória, documentos e R$ 222.050,00 em espécie.

A operação contou com o apoio das equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro (GARRAS), da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (DECCO) e da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (DERF). No caso da investigada advogada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS.

O nome da operação faz referência à elevada complexidade dos procedimentos médicos investigados, especialmente neurocirurgias, bem como à estrutura que teria sido articulada entre os envolvidos para obtenção indevida de recursos públicos por meio da judicialização da saúde.

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