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Três Lagoas
quarta-feira, 17 de junho de 2026

Paracel avança com fábrica de US$ 2,8 bi no Paraguai e mira janela após boom de Três Lagoas

Foi em Três Lagoas que o setor de celulose ganhou escala global. Pioneira, a cidade concentra Suzano e Eldorado Brasil e já é tratada como capital mundial da celulose

A corrida da celulose no Centro-Oeste sul-americano ganhou um novo capítulo. A Paracel confirmou que segue com o projeto de US$ 2,8 bilhões para erguer uma fábrica no norte do Paraguai, mesmo em ritmo mais lento que o previsto. A empresa agora mira 2027 para fechar o financiamento e começar a produção em 2030.

ONDE TUDO COMEÇOU

A estratégia passa diretamente por Três Lagoas e região. A Paracel, segundo o portal Valor Econômico, acredita haver uma janela favorável para iniciar a obra após a entrada em operação da unidade da Arauco em Inocência (MS) e do projeto da CMPC. Ou seja: o Paraguai espera o ciclo de expansão de Mato Grosso do Sul avançar para entrar no jogo.

Foi em Três Lagoas que o setor ganhou escala global. Pioneira, a cidade concentra Suzano e Eldorado Brasil e já é tratada como capital mundial da celulose. O modelo se espalhou: Ribas do Rio Pardo recebeu nova planta da Suzano. Inocência constrói o Projeto Sucuriú, da Arauco, com R$ 25 bilhões e 3,5 milhões de toneladas por ano. Bataguassu terá unidade da Bracell.

POLO DE REFERÊNCIA

Paracel avança com fábrica de US$ 2,8 bi no Paraguai e mira janela após boom de Três Lagoas

Esse eixo Três Lagoas–Ribas–Inocência–Bataguassu virou o maior polo florestal do planeta e ditou o ritmo do mercado. É esse movimento que a Paracel monitora de perto.

Formada pelo grupo paraguaio Zapag, pela sueca Girindus Investments e pela austríaca Heinzel Holding, a Paracel já iniciou os ativos essenciais do polo industrial com aporte de US$ 165 milhões do BID.

A fábrica terá capacidade inicial de 1,8 milhão de toneladas anuais em Concepción, com expansões que podem levar a 5 milhões de toneladas.

“Estamos otimistas quanto ao cenário para fechar o financiamento em 2027, o que permitiria o início da produção em 2030”, afirmou Flavio Deganutti, CEO da Paracel, ao Valor Econômico.

A companhia aposta em três trunfos: a maior base florestal do Paraguai, benefícios fiscais e logísticos, além de custos mais baixos de mão de obra e energia. A produção vai descer de barcaça pelo Rio Paraguai até um porto em Soriano, no Uruguai, seguindo para exportação.  

REGIÃO VIRA REFERÊNCIA GLOBAL

Com Três Lagoas liderando, Mato Grosso do Sul se consolidou como protagonista mundial. O Estado soma mais de 1,2 milhão de hectares de eucalipto e atrai investimentos que transformam o perfil econômico do Centro-Oeste.

Agora, o Paraguai tenta surfar a mesma onda, usando a estrutura e a demanda criadas pela expansão sul-mato-grossense. A janela de 2027 mostra como o calendário da celulose na América do Sul é ditado por MS. Primeiro entram as plantas de Inocência e Bataguassu. Depois, Concepción. Três Lagoas continua sendo o marco zero desse novo mapa da bioeconomia.

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