Com a produção de fertilizantes voltando a ganhar força no país, Três Lagoas se consolida como peça-chave para a competitividade do agronegócio brasileiro
Por: Nathalia Santos
Além de consolidar sua liderança na produção de celulose, Três Lagoas caminha para se tornar protagonista em outro setor essencial para a economia: o de fertilizantes. A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), da Petrobras, representa um passo importante para reduzir a dependência externa do Brasil e fortalecer a segurança alimentar do país.
O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário mundial. Dados recentes mostram que mais de 80% da oferta global de nutrientes agrícolas está concentrada em poucos países. A China lidera a produção mundial de fertilizantes, com cerca de 28% do total, seguida pela Rússia (14%), Canadá (8%), Estados Unidos (8%), Índia (6%) e Brasil, que ainda responde por apenas 4% da produção global.
Essa concentração faz com que crises internacionais, guerras, problemas logísticos e oscilações cambiais afetem diretamente os custos da agricultura brasileira.
DEPENDÊNCIA EXTERNA
Embora seja uma das maiores potências agrícolas do mundo, o Brasil ainda importa grande parte dos fertilizantes utilizados no campo, especialmente os nitrogenados, produzidos a partir do gás natural.
Essa dependência ficou evidente durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços dispararam e aumentaram significativamente os custos de produção para agricultores e pecuaristas.
A retomada da UFN-3 muda esse cenário.
Instalada em Três Lagoas, a fábrica foi projetada para produzir aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia, além de 2.200 toneladas de amônia por dia, insumos fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.
Na prática, isso significa ampliar a oferta nacional, reduzir a necessidade de importações e fortalecer a indústria brasileira.
TRÊS LAGOAS AMPLIA SUA IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Conhecida nacionalmente como a Capital Mundial da Celulose, Três Lagoas poderá agregar um novo título: polo estratégico da indústria de fertilizantes.
A produção da UFN-3 deverá atender parte da demanda do agronegócio brasileiro, reduzindo custos logísticos e oferecendo maior estabilidade no abastecimento de insumos para produtores rurais.
Além da unidade sul-mato-grossense, o Governo Federal também anunciou novos investimentos para ampliar a produção nacional de fertilizantes em outras regiões do país, reforçando uma política de fortalecimento da indústria química ligada ao agronegócio.
BENEFÍCIOS PARA O CAMPO
Especialistas apontam que o aumento da produção nacional tende a gerar maior competitividade no mercado interno.
Com maior oferta de fertilizantes produzidos no Brasil, a expectativa é de redução da dependência do mercado internacional e menor exposição às oscilações de preços provocadas por fatores externos.
Embora o preço final também dependa da cotação do gás natural, do câmbio e da demanda internacional, uma produção nacional mais robusta pode contribuir para reduzir custos ao produtor rural.
Esse movimento beneficia toda a cadeia produtiva.
Menores custos para agricultores e pecuaristas podem significar maior competitividade, aumento da produção e, ao longo do tempo, contribuir para maior estabilidade nos preços dos alimentos para o consumidor.
SEGURANÇA ALIMENTAR
Muito além da agricultura, os fertilizantes são considerados um recurso estratégico para qualquer país.
Nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pelas siglas NPK, sustentam praticamente toda a produção agrícola moderna. Sem esses nutrientes, a produtividade das lavouras cai drasticamente.
Por isso, ampliar a produção nacional significa fortalecer não apenas o agronegócio, mas também a segurança alimentar, a geração de empregos, a indústria química e a soberania econômica brasileira.
Com a retomada da UFN-3, Três Lagoas reforça sua posição como um dos principais polos industriais do país e passa a desempenhar papel importante em um setor considerado estratégico para o futuro da economia brasileira.



