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Três Lagoas
quinta-feira, 2 de julho de 2026

Retomada da UFN-3 coloca Três Lagoas no mapa estratégico da produção de fertilizantes no Brasil

Com a produção de fertilizantes voltando a ganhar força no país, Três Lagoas se consolida como peça-chave para a competitividade do agronegócio brasileiro

Por: Nathalia Santos

Além de consolidar sua liderança na produção de celulose, Três Lagoas caminha para se tornar protagonista em outro setor essencial para a economia: o de fertilizantes. A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), da Petrobras, representa um passo importante para reduzir a dependência externa do Brasil e fortalecer a segurança alimentar do país.

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário mundial. Dados recentes mostram que mais de 80% da oferta global de nutrientes agrícolas está concentrada em poucos países. A China lidera a produção mundial de fertilizantes, com cerca de 28% do total, seguida pela Rússia (14%), Canadá (8%), Estados Unidos (8%), Índia (6%) e Brasil, que ainda responde por apenas 4% da produção global.

Essa concentração faz com que crises internacionais, guerras, problemas logísticos e oscilações cambiais afetem diretamente os custos da agricultura brasileira.

DEPENDÊNCIA EXTERNA

Embora seja uma das maiores potências agrícolas do mundo, o Brasil ainda importa grande parte dos fertilizantes utilizados no campo, especialmente os nitrogenados, produzidos a partir do gás natural.

Essa dependência ficou evidente durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços dispararam e aumentaram significativamente os custos de produção para agricultores e pecuaristas.

A retomada da UFN-3 muda esse cenário.

Instalada em Três Lagoas, a fábrica foi projetada para produzir aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia, além de 2.200 toneladas de amônia por dia, insumos fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

Na prática, isso significa ampliar a oferta nacional, reduzir a necessidade de importações e fortalecer a indústria brasileira.

TRÊS LAGOAS AMPLIA SUA IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Retomada da UFN-3 coloca Três Lagoas no mapa estratégico da produção de fertilizantes no Brasil
Três Lagoas já domina o protagonismo da celulose e agora será referência na produção de fertilizantes a partir da conclusão da UFN-3 (Foto: Perfil News)

Conhecida nacionalmente como a Capital Mundial da Celulose, Três Lagoas poderá agregar um novo título: polo estratégico da indústria de fertilizantes.

A produção da UFN-3 deverá atender parte da demanda do agronegócio brasileiro, reduzindo custos logísticos e oferecendo maior estabilidade no abastecimento de insumos para produtores rurais.

Além da unidade sul-mato-grossense, o Governo Federal também anunciou novos investimentos para ampliar a produção nacional de fertilizantes em outras regiões do país, reforçando uma política de fortalecimento da indústria química ligada ao agronegócio.

BENEFÍCIOS PARA O CAMPO

Especialistas apontam que o aumento da produção nacional tende a gerar maior competitividade no mercado interno.

Com maior oferta de fertilizantes produzidos no Brasil, a expectativa é de redução da dependência do mercado internacional e menor exposição às oscilações de preços provocadas por fatores externos.

Embora o preço final também dependa da cotação do gás natural, do câmbio e da demanda internacional, uma produção nacional mais robusta pode contribuir para reduzir custos ao produtor rural.

Esse movimento beneficia toda a cadeia produtiva.

Menores custos para agricultores e pecuaristas podem significar maior competitividade, aumento da produção e, ao longo do tempo, contribuir para maior estabilidade nos preços dos alimentos para o consumidor.

SEGURANÇA ALIMENTAR

Muito além da agricultura, os fertilizantes são considerados um recurso estratégico para qualquer país.

Nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pelas siglas NPK, sustentam praticamente toda a produção agrícola moderna. Sem esses nutrientes, a produtividade das lavouras cai drasticamente.

Por isso, ampliar a produção nacional significa fortalecer não apenas o agronegócio, mas também a segurança alimentar, a geração de empregos, a indústria química e a soberania econômica brasileira.

Com a retomada da UFN-3, Três Lagoas reforça sua posição como um dos principais polos industriais do país e passa a desempenhar papel importante em um setor considerado estratégico para o futuro da economia brasileira.

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