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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Indústria desponta como motor da economia de Mato Grosso do Sul, indica estudo do Santander

Com avanço de 4,5% ao ano entre 2025 e 2027, setor deve sustentar atividade após ciclo recorde do agronegócio

Com crescimento projetado de 4,5% ao ano entre 2025 e 2027, a indústria deve ser o principal destaque da economia do Mato Grosso do Sul nos próximos anos, segundo estudo do Departamento Econômico do Santander. O levantamento aponta que, após a expansão de 7,0% do PIB estadual em 2025, impulsionada pelas safras recordes de soja e milho, a atividade econômica deverá seguir em trajetória de crescimento, embora em ritmo mais moderado, com altas de 1,26% em 2026 e 1,71% em 2027. Os resultados refletem a forte base de comparação deixada pelo ciclo recente do agronegócio. O levantamento reúne dados do Santander e do PIB regional do IBGE até 2023, além de projeções para o período de 2024 a 2027.

No recorte setorial, o PIB da agropecuária teve desempenho excepcional em 2023 (55,3%), com a supersafra histórica, e queda de 10,0% no ano seguinte. A projeção para 2025 é de expansão de 18%, apoiada na produção de grãos. Para 2026, a expectativa é de queda de 3,7%, em função da elevada base de comparação, com ligeira retomada em 2027 (0,5%). Entre os fatores de risco para o cenário projetado está a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode impactar as safras do próximo ano.

O setor de serviços acompanha de perto as tendências da agropecuária. As projeções são de 2,4% em 2025 e 2026, com desaceleração para 1,7% em 2027, refletindo condições financeiras mais restritivas. O varejo também mantém trajetória de expansão.

Henrique Danyi, economista do Santander e um dos autores do estudo, afirma que o Centro-Oeste foi a região brasileira com desempenho mais excepcional nos últimos anos, impulsionado por safras recordes e pelos impactos da agropecuária sobre os demais setores. O Mato Grosso do Sul responde por 15,3% do PIB do Centro-Oeste, segundo os dados mais recentes disponíveis (2023).  Conforme o estudo do Santander, o Centro-Oeste deve registrar crescimento de 4,8% em 2025; 2,3% (2026) e 1,9% (2027), impulsionado pelo ciclo das commodities.

Segundo Danyi, a evolução da atividade econômica regional continuará refletindo fatores nacionais, como mercado de trabalho, política monetária e desempenho da agropecuária. O estudo destaca ainda que eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos anos, com alterações nos padrões de chuva e temperatura.

O levantamento completo (disponível no estudo do Santander) apresenta projeções para atividade econômica, agropecuária, indústria e serviços em todas as regiões do país, além de análises por estado e indicadores setoriais.

“Mesmo com a desaceleração prevista a partir de 2026, o mapa econômico do país segue mostrando uma expansão disseminada. O desafio à frente passa a ser manter maior consistência no crescimento, em contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros”, conclui Danyi.

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