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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Arauco avalia hidrovia Tietê-Paraná para escoar produção da fábrica de celulose em Inocência


Empresa confirma estudo de rota multimodal que combina transporte rodoviário, hidroviário e ferroviário como alternativa ao projeto principal de ligação direta à Malha Norte, com operação prevista para 2027

A Arauco confirmou que avalia a utilização da hidrovia Tietê-Paraná como parte da estratégia logística para o escoamento da produção de celulose da megafábrica em construção em Inocência, no Mato Grosso do Sul. A alternativa integra um modelo multimodal que combina transporte rodoviário, hidroviário e ferroviário, mas ainda depende de análises de viabilidade técnica e econômica.

O empreendimento, que recebe investimentos de US$ 4,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 25 bilhões, tem previsão de iniciar as operações no último trimestre de 2027. A unidade terá capacidade para produzir até 3,8 milhões de toneladas de celulose branqueada de fibra curta de eucalipto por ano, com possibilidade de expansão para 5 milhões de toneladas, conforme previsto na licença de instalação.

O principal plano logístico da companhia prevê a construção de um ramal ferroviário de 47 quilômetros entre a fábrica e a Malha Norte, operada pela Rumo Logística. A ferrovia, autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), exigirá investimento estimado em R$ 1 bilhão. As obras devem começar em setembro, com prazo de execução de 18 meses.

Além da infraestrutura ferroviária, a empresa investirá R$ 1,4 bilhão na compra de 23 locomotivas e aproximadamente 750 vagões. A operação contará com sete composições diárias de 100 vagões, cada uma transportando até 96 toneladas, o que permitirá movimentar cerca de 9,6 mil toneladas de celulose por dia.

A Arauco também recebeu autorização da ANTT para atuar como Agente Transportador Ferroviário (ATF), possibilitando operar diretamente sua carga até o Porto de Santos, onde contará com um terminal próprio. O ramal ferroviário será implantado paralelamente à rodovia MS-377 e terá concessão de 99 anos.

Arauco avalia hidrovia Tietê-Paraná para escoar produção da fábrica de celulose em Inocência

HIDROVIA SURGE COMO ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL

Como alternativa ao traçado principal, a companhia estuda uma rota multimodal que prevê o transporte da carga por caminhões em um percurso de aproximadamente 130 quilômetros até Três Lagoas. De lá, a celulose seguiria por cerca de 450 quilômetros pela hidrovia Tietê-Paraná até Pederneiras, no interior de São Paulo, e completaria o trajeto em mais 550 quilômetros por ferrovia até o Porto de Santos.

Embora apresente potencial para reduzir emissões e ampliar a eficiência ambiental da operação, essa opção envolve múltiplos transbordos, fator que pode impactar os custos logísticos e a competitividade da rota.

A hidrovia Tietê-Paraná, que possui cerca de 2,4 mil quilômetros de vias navegáveis, passa por obras de ampliação no canal de Nova Avanhandava. O investimento de R$ 147,7 milhões busca garantir a navegabilidade durante todo o ano, inclusive em períodos de estiagem, elevando a capacidade de transporte para até 7 milhões de toneladas anuais.

O avanço da logística ferroviária também mobiliza outras empresas do setor de celulose. A Suzano possui autorização para construir um trecho ferroviário de 231 quilômetros entre Ribas do Rio Pardo e Inocência, além de outros 160 quilômetros até Aparecida do Taboado, em projetos que somam investimentos superiores a R$ 3 bilhões.

Já a Eldorado Brasil Celulose obteve licença prévia para um ramal de 89 quilômetros entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, com investimento estimado em R$ 890 milhões. No entanto, tanto esse projeto quanto o da Suzano seguem aguardando definições sobre a repactuação da concessão da Malha Oeste, atualmente em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Com a entrada em operação da nova fábrica da Arauco, Mato Grosso do Sul deverá elevar sua produção anual de celulose de 7,6 milhões para cerca de 11 milhões de toneladas, consolidando-se como o maior polo produtor de celulose do Brasil.

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