Mato Grosso do Sul é considerado uma potência agroambiental, com destaque para a conversão de pastagens em áreas de grãos, silvicultura e cana-de-açúcar, além do protagonismo na cadeia produtiva florestal e na produção de celulose. As oportunidades oferecidas pelo estado e os desafios para seguir avançando foram abordados na palestra: “Análise e perspectivas do cenário econômico de Mato Grosso do Sul”, ministrada pelo economista e ex-secretário de Desenvolvimento do Estado, Jaime Verruck, na sede da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande.
Na noite desta terça-feira (14), ele falou para empresários de diversos setores o atual contexto do Brasil, que aparece em 65º lugar, entre 70 economias, no Ranking Mundial de Competitividade, mas que no contraponto tem mercado interno gigante – 6º em população, 10º em PIB, atrai investimentos estrangeiros e tem o agronegócio como âncora. Nesse aspecto, Mato Grosso do Sul tem números positivos e Campo Grande aparece como importante polo regional.
“Falamos muito pouco da área rural de Campo Grande, mas hoje apresentamos ao investidor que se colocar um raio de 100 km temos a maior produção de soja, milho e eucalipto. Campo Grande é a única cidade que suporta uma nova agroindústria, por exemplo de aves”, disse Verruck.
Ele citou que a Capital tem o que falta em todos os outros municípios: pessoas para trabalhar. “Para se ter uma ideia, há duas semanas houve ampliação de uma indústria em São Gabriel do Oeste, que abatia 3 mil suínos e vai abater 5 mil. Precisou ampliar o quadro de funcionários e hoje 170 pessoas saem de Campo Grande para trabalhar em São Gabriel do Oeste. Diariamente, quase 600 pessoas saem daqui para atuar em Ribas do Rio Pardo”, contou Verruck.
E não se trata apenas de mão de obra. No raio de 100 km, a ocupação do solo se mostra diversificada: pasto com 1.417.997 hectares; soja, 643.127 hectares; remanescentes (áreas de conservação), 739.365 hectares; cana-de-açúcar 10.222 hectares; eucalipto com 226.664 hectares; milho, 3.069 hectares; pinus, 43 hectares e seringueira 1.830 hectares. “Os números mostram que, em um raio de 100 km, talvez não haja outro espaço territorial com tamanha produção como tem em Campo Grande”, disse Verruck.
Gargalos — Economista e doutor em Desenvolvimento, Verruck também elencou quatro gargalos: produtividade e salários, crescimento do emprego não basta sem qualidade e valor agregado; a Capital precisa vender serviços avançados às cadeias estaduais; necessidade de requalificação, saúde ocupacional e retenção de experiência, além de mobilidade, drenagem, habitação e saneamento condicionam a competitividade.




