22.9 C
Três Lagoas
quarta-feira, 15 de julho de 2026

Expansão da silvicultura fortalece economia e mantém preservação ambiental em Mato Grosso do Sul

Cultivo de eucalipto em áreas antropizadas impulsiona empregos, renda e desenvolvimento regional, enquanto empresas do setor seguem normas ambientais rigorosas, preservam áreas nativas e mantêm programas de monitoramento da biodiversidade

A expansão da silvicultura em Mato Grosso do Sul consolidou o Estado como um dos principais polos brasileiros da produção de celulose, transformando antigas áreas de pecuária extensiva em florestas plantadas destinadas ao abastecimento da indústria de base florestal.

O crescimento da atividade vem acompanhado de investimentos que impulsionam a geração de empregos, movimentam a economia regional e ampliam a arrecadação dos municípios. Além do impacto econômico, o setor afirma que o desenvolvimento da cultura florestal ocorre dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental brasileira, considerada uma das mais rigorosas do mundo.

Expansão da silvicultura fortalece economia e mantém preservação ambiental em Mato Grosso do Sul

Os empreendimentos do segmento realizam seus plantios exclusivamente em áreas antropizadas — locais anteriormente utilizados para pastagens ou agricultura — sem abertura de novas áreas de vegetação nativa. As áreas de Preservação Permanente (APPs), reservas legais, nascentes, cursos d’água e demais ambientes protegidos permanecem preservados conforme determina a legislação ambiental.

Silvicultura segue rígidos critérios ambientais

As empresas do setor informam que todos os empreendimentos são submetidos ao processo de licenciamento ambiental e operam seguindo normas estabelecidas pelos órgãos competentes, além de certificações internacionais de manejo florestal sustentável, auditadas periodicamente por organismos independentes.

Entre as práticas adotadas estão o cultivo mínimo do solo, manutenção de cobertura vegetal entre as linhas de plantio, construção de terraços para contenção de processos erosivos e monitoramento permanente das condições ambientais.

Também fazem parte da rotina operacional programas de conservação da biodiversidade, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes e manutenção de corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa, favorecendo o deslocamento da fauna silvestre.

Monitoramento da água e da biodiversidade

O crescimento da silvicultura também desperta discussões sobre seus possíveis efeitos sobre os recursos hídricos e os ecossistemas do Cerrado.

Nesse contexto, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para reunir estudos técnicos e avaliar eventuais impactos relacionados às plantações florestais sobre nascentes, córregos, rios, solo, vegetação e fauna.

A abertura da investigação, entretanto, não representa comprovação de dano ambiental, mas sim um procedimento destinado à coleta de informações técnicas, dados científicos e monitoramentos realizados pelos órgãos públicos e pelas empresas.

O eucalipto consome mais água?

Segundo estudos científicos conduzidos por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o consumo de água do eucalipto não apresenta diferenças significativas quando comparado ao de outras espécies florestais.

Os pesquisadores explicam que a demanda hídrica das árvores depende principalmente das condições climáticas, da disponibilidade de água no ambiente e da quantidade de folhas existente na vegetação.

Expansão da silvicultura fortalece economia e mantém preservação ambiental em Mato Grosso do Sul

O eucalipto, inclusive, apresenta elevada eficiência no uso da água, produzindo maior volume de madeira por unidade de água utilizada durante seu crescimento.

“O secamento de rios, córregos e nascentes é um fenômeno registrado em diferentes regiões do Brasil e não pode ser atribuído exclusivamente à silvicultura. Dados do MapBiomas mostram que, em 2024, o país perdeu 3,2% de sua superfície de água em relação à média histórica, enquanto, no Cerrado, cerca de 60% da água disponível já é de origem artificial. Em 2025, municípios de Mato Grosso do Sul decretaram emergência hídrica devido à estiagem, cenário associado a fatores como mudanças climáticas, desmatamento acumulado e pressão sobre os recursos hídricos.”

Os especialistas ressaltam, entretanto, que a discussão não deve se limitar ao consumo individual da árvore. O comportamento de grandes áreas cultivadas depende de fatores como localização, tamanho das plantações, características do solo, regime de chuvas e ocupação da bacia hidrográfica.

Por isso, não há base científica para afirmar que toda plantação de eucalipto provoca o secamento de rios e nascentes. Da mesma forma, o planejamento territorial continua sendo essencial para assegurar o equilíbrio entre produção florestal e conservação ambiental.

Produção e conservação podem coexistir

Expansão da silvicultura fortalece economia e mantém preservação ambiental em Mato Grosso do Sul

As empresas de base florestal destacam que o modelo adotado em Mato Grosso do Sul busca integrar produção e preservação ambiental por meio da manutenção de áreas protegidas, restauração ecológica e monitoramento permanente da fauna.

Projetos desenvolvidos pelo setor utilizam tecnologias como monitoramento acústico, inteligência artificial, DNA ambiental e armadilhas fotográficas para acompanhar a presença de espécies do Cerrado, incluindo mamíferos de grande porte, aves e outros animais silvestres.

A existência desses registros demonstra que áreas produtivas associadas à vegetação nativa podem servir como corredores para a fauna. Ainda assim, especialistas destacam que a conservação deve ser acompanhada continuamente, considerando indicadores populacionais, conectividade entre habitats e qualidade ambiental.

Desenvolvimento aliado à responsabilidade

A expansão da silvicultura representa hoje um dos principais vetores do desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul, impulsionando investimentos industriais, geração de empregos diretos e indiretos e renda para centenas de municípios.

Ao mesmo tempo, a atividade está submetida a um conjunto de exigências legais, monitoramentos ambientais e processos de fiscalização que visam garantir a proteção dos recursos naturais.

O desafio permanente é conciliar crescimento econômico com sustentabilidade, assegurando que a expansão das florestas plantadas continue ocorrendo em áreas já antropizadas, respeitando integralmente as Áreas de Preservação Permanente, as reservas legais e os demais instrumentos previstos na legislação ambiental brasileira.

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.