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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Maternidade atípica: acolhimento e informação podem transformar a jornada das famílias

Tema integra a programação gratuita da Materne, que reúne especialistas para discutir diferentes aspectos da gestação, maternidade e primeira infância

Receber o diagnóstico de uma deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento, síndrome rara ou outra condição que exige cuidados permanentes costuma transformar completamente a rotina e os planos de uma família. Entre consultas, terapias, adaptações e a busca constante por informações, mães e pais passam a enfrentar uma realidade marcada por desafios, mas também por descobertas, aprendizados e novas formas de cuidado.

Conhecida como maternidade atípica, essa experiência não está relacionada a um diagnóstico específico, mas à vivência de mães e famílias que cuidam de crianças que necessitam de acompanhamento contínuo e de uma rede permanente de cuidados. Entre as condições mais frequentes estão o Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, deficiência intelectual, paralisia cerebral, epilepsias, doenças genéticas, síndromes raras, doenças neuromusculares e outras condições que impactam o desenvolvimento infantil.

Para a neuropsicóloga Dra. Claudia Dantas, um dos primeiros desafios enfrentados pelas famílias é lidar com a ruptura das expectativas construídas antes mesmo do nascimento da criança.

“O primeiro desafio emocional costuma ser o luto do filho imaginado. Não é um luto pela criança que está ali, mas pela expectativa que não vai se cumprir daquela forma. Depois vêm a sobrecarga, as decisões médicas, as terapias e, muitas vezes, a falta de uma rede de apoio”, explica a especialista.

Além do impacto emocional, a rotina dessas famílias costuma exigir uma intensa dedicação ao acompanhamento da criança, envolvendo diferentes profissionais, adaptações na dinâmica familiar e mudanças na vida social e profissional dos cuidadores.

Segundo a neuropediatra Dra. Andrea Weinmann, é importante compreender que o diagnóstico não define quem a criança é, mas funciona como um guia para que ela receba os estímulos e intervenções mais adequados.

“Por trás de cada diagnóstico existe uma criança única, com potencial, capacidades e possibilidades de desenvolvimento. O diagnóstico não define quem ela é, mas orienta quais estratégias podem ajudá-la a alcançar seu máximo potencial”, afirma a médica.

A médica explica que os primeiros anos de vida representam uma fase de grande capacidade de adaptação do cérebro, conhecida como neuroplasticidade. Por isso, identificar precocemente alterações no desenvolvimento e iniciar o acompanhamento multiprofissional o quanto antes pode favorecer ganhos importantes na comunicação, autonomia, aprendizagem, habilidades motoras, interação social e qualidade de vida da criança.

As especialistas também reforçam que o cuidado não deve estar voltado apenas à criança. O acolhimento das famílias é parte fundamental desse processo.

Segundo a neuropsicóloga, a forma como o diagnóstico é comunicado pelos profissionais de saúde pode marcar toda a trajetória da família. Além do encaminhamento para terapias, ela destaca a importância de oferecer orientação, escuta e encaminhamento para grupos de apoio e acompanhamento psicológico, lembrando que o cuidado com os pais também faz parte do tratamento da criança.

A Dra. Andrea complementa que pais emocionalmente fortalecidos conseguem oferecer melhores condições para o desenvolvimento dos filhos.

Maternidade atípica: acolhimento e informação podem transformar a jornada das famílias
Foto: Divulgação

“A família também precisa ser cuidada. Quando recebe orientação adequada, uma equipe qualificada e uma rede de apoio, consegue enfrentar os desafios com mais segurança e proporcionar um ambiente ainda mais favorável ao desenvolvimento infantil”, ressalta.

Outro desafio recorrente é o preconceito e a falta de informação. Muitas famílias ainda precisam lidar com julgamentos, dificuldades de inclusão e com a falta de compreensão sobre a condição da criança.

Segundo a Dra. Claudia Dantas, quando familiares, escolas e até profissionais de saúde desconhecem essa realidade, os pais acabam assumindo o papel de explicar repetidamente o diagnóstico, justificar comportamentos e defender os filhos, o que gera uma sobrecarga emocional muitas vezes invisível.

MATERNE 2026

É justamente com esse propósito que a maternidade atípica será um dos temas da Materne, feira dedicada à gestação, maternidade e primeira infância, que acontece nos dias 15 e 16 de agosto, em Campo Grande, com entrada gratuita.

Ao longo dos dois dias, o evento reunirá palestras, cursos, rodas de conversa e diversas atividades voltadas ao universo da maternagem, abordando desde o planejamento da gestação até os desafios da primeira infância. Entre os destaques da programação estará uma roda de conversa sobre maternidade atípica, reunindo especialistas e famílias para discutir desenvolvimento infantil, acolhimento, diagnóstico precoce, saúde mental e a importância da construção de uma rede de apoio.

“A Materne nasceu para acolher todas as famílias. Falar sobre maternidade atípica é reconhecer uma realidade vivida por milhares de pais e mães e criar um espaço onde eles possam encontrar informação de qualidade, profissionais preparados e, principalmente, a certeza de que não estão sozinhos nessa jornada. Nossa programação foi pensada justamente para aproximar especialistas e famílias, promovendo conhecimento, troca de experiências e acolhimento em diferentes fases da maternidade”, destaca a idealizadora da feira, a ginecologista e obstetra Dra. Maria Auxiliadora Budib.

A participação na feira e nas atividades complementares é gratuita, mediante inscrição prévia no site www.materne.com.br. A programação completa e os formulários de inscrição estão disponíveis na página oficial da Materne.

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