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domingo, 19 de julho de 2026

Satélite mantém 4 eventos de fogo ativos na fronteira do Pantanal

Áreas de influência somam 13,7 mil hectares; Bolívia diz ter controlado uma frente perto de Puerto Busch

Mesmo após autoridades bolivianas anunciarem o controle de uma frente de incêndio próxima a Puerto Busch, dados de satélite ainda apontavam quatro eventos de fogo ativos neste domingo (19) na região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Corumbá.

Monitoramento é feito pelo Painel do Fogo, ferramenta do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), que reúne imagens de satélite para identificar a localização, a dimensão e a evolução das ocorrências.

Esses quatro eventos localizados entre Forte Coimbra e o Parque Nacional Pantanal de Otuquis possuem áreas de influência que, somadas, chegam a 13.719,94 hectares. O número não representa necessariamente a extensão já queimada, mas a área em torno das detecções acompanhada pelo sistema.

O maior e mais antigo dos eventos foi identificado às 1h23 de quinta-feira (16), na divisa entre os dois países. A área de influência é de 4.804,81 hectares e alcança seis imóveis.

Na tarde do primeiro dia, o sistema chegou a registrar 66 focos de calor associados à ocorrência. Neste domingo, o número havia caído para quatro, indicando perda de intensidade na área. A última detecção ocorreu à 1h21.

Outro evento, identificado na tarde de sexta-feira (17), possui área de influência de 1.218,81 hectares e alcança três imóveis com cadastro rural. A ocorrência começou com 22 detecções e registrou duas no sábado. Apesar de permanecer classificada como ativa, a última marcação do satélite ocorreu às 16h de sábado.

A atividade mais intensa neste domingo estava concentrada em outros dois eventos. Um deles, com área de influência de 4.669,95 hectares, chegou a registrar 49 focos durante a madrugada de sábado e ainda apresentava 32 detecções neste domingo.

O quarto evento começou na madrugada de sábado, possui área de influência de 3.026,37 hectares e alcança dois imóveis registrados no CAR. O sistema indicava 58 focos associados à ocorrência.

A presença das áreas de influência sobre propriedades rurais não permite identificar onde o fogo começou nem atribuir responsabilidade aos proprietários. Os dados mostram apenas que as detecções alcançam regiões nas quais existem imóveis inscritos no cadastro ambiental.

Instalações na Bolívia – Do lado boliviano, militares foram mobilizados para impedir que as chamas chegassem à estrutura portuária e industrial de Puerto Busch, próxima ao Parque Nacional Pantanal de Otuquis.

Segundo publicação do Quinto Distrito Naval Santa Cruz, o incêndio chegou a aproximadamente um quilômetro da Capitania de Puerto Mayor Busch. Três equipes de militares, veículos, um caminhão, um carro de combate a incêndio e equipamentos especializados foram enviados à região.

A Marinha Boliviana afirmou que os militares realizaram cerca de cinco horas de trabalho contínuo até conseguir “controlar y sofocar el incendio”, ou controlar e apagar aquela frente de fogo.

Conforme a publicação, a ação evitou que as chamas atravessassem a estrada e atingissem instalações da capitania, da ASPB (Administração de Serviços Portuários da Bolívia) e da ESM (Empresa Siderúrgica do Mutún).

A corporação destacou que conseguiu conter o avanço, “evitando que las llamas cruzaran la carretera”, mas informou que as equipes permaneceram no local para realizar monitoramento e vigilância preventiva.

O anúncio boliviano se refere a uma frente específica próxima a Puerto Busch. Os dados do Censipam mostram que outras áreas da região continuavam com detecções de fogo neste domingo.

Risco máximo – Os incêndios avançam em uma área onde as condições meteorológicas e da vegetação permanecem favoráveis à propagação das chamas.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) referentes a sábado apontaram risco de fogo de 0,91 nas proximidades de Forte Coimbra e índice 1, o valor máximo da escala, em pontos da região de Otuquis.

Em parte do recorte analisado entre os dois países, 61% dos pontos válidos estavam com risco máximo, enquanto aproximadamente 73% apresentavam índice igual ou superior a 0,9.

O modelo não mostra a extensão do incêndio já existente. O indicador estima a facilidade de o fogo começar ou se espalhar, considerando fatores como chuva acumulada, temperatura, umidade do ar, vegetação e características do terreno.

Outro arquivo do Inpe mostrou umidade relativa entre aproximadamente 25% e 32% na faixa de fronteira durante a tarde de sábado. O ar seco, combinado ao calor e aos ventos, reduz a umidade da vegetação e dificulta o controle dos incêndios.

Fogo havia sido identificado inicialmente na região de Forte Coimbra, em Corumbá, durante a madrugada de quinta-feira. No sábado, o CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) informou que 12 militares e três viaturas atuavam diretamente no combate, além das equipes responsáveis pelo apoio logístico.

Por: Campo Grande News

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