A celulose branqueada, principal produto da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul e o sexto item brasileiro mais vendido aos Estados Unidos, ficou de fora da nova tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. Medida, porém, atinge diversos produtos industriais e agrícolas brasileiros
Por: Nathalia Santos
A nova tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros trouxe alívio para um dos setores mais importantes da economia de Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento publicado pelo g1, a celulose branqueada, principal produto exportado pelo Estado, está entre os itens que não serão atingidos pela nova cobrança, que entra em vigor em 22 de julho.
O dado ganha relevância porque a celulose ocupa a sexta posição entre os produtos brasileiros mais exportados ao mercado norte-americano, consolidando-se como um dos principais itens da pauta comercial entre os dois países.
Mato Grosso do Sul responde por uma parcela significativa da produção nacional de celulose, impulsionado pelas grandes indústrias instaladas na Costa Leste do Estado e pelos investimentos que transformaram a região em um dos maiores polos mundiais do setor.
MEDIDA AFETA MILHARES DE PRODUTOS

A tarifa foi anunciada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
De acordo com o g1, milhares de produtos brasileiros passarão a pagar a tarifa adicional de 25%, embora o governo dos Estados Unidos tenha mantido uma lista de exceções por razões econômicas, estratégicas ou porque alguns produtos já estavam submetidos a outras tarifas.
Em 2025, os Estados Unidos importaram US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros. Os dez principais itens responderam por quase metade desse valor.
PRODUTOS QUE FICARAM FORA DA TARIFA
Entre os principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos que permaneceram isentos da nova cobrança estão:
- petróleo bruto;
- café em grão;
- aeronaves;
- ferro-gusa;
- celulose branqueada;
- carne bovina congelada;
- suco de laranja (congelado e não congelado);
- ferro-nióbio;
- minério de ferro;
- combustíveis de aviação;
- partes de turbinas;
- silício.
Também ficaram de fora produtos como couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e alguns produtos de madeira.
ITENS QUE PASSARÃO A PAGAR A NOVA TARIFA
Por outro lado, diversos produtos brasileiros passarão a enfrentar a cobrança adicional de 25%. Entre eles estão:
- fuel oil (óleo combustível);
- gasolina;
- carregadeiras;
- transformadores elétricos;
- bulldozers (tratores de esteira);
- motoniveladoras;
- pneus para automóveis, caminhões e ônibus;
- açúcar de cana;
- etanol;
- tabaco em folhas;
- portas de madeira;
- madeira serrada;
- madeira compensada;
- calçados de couro;
- granito e pedras trabalhadas;
- matérias proteicas;
- chapas de alumínio.
A maior parte dos produtos atingidos pertence aos setores industrial, metalúrgico, de máquinas e equipamentos, além de parte da indústria de base florestal e do agronegócio.
IMPORTÂNCIA PARA MATO GROSSO DO SUL

Para Mato Grosso do Sul, a exclusão da celulose da lista de produtos tarifados representa um fator positivo em um momento de incertezas no comércio internacional.
O Estado lidera a produção nacional de celulose e tem no produto seu principal item de exportação, responsável por movimentar bilhões de reais anualmente e sustentar uma cadeia econômica que envolve florestas plantadas, indústria, logística e geração de empregos.
Além das unidades industriais já em operação, Mato Grosso do Sul continua recebendo novos investimentos no setor, ampliando sua capacidade produtiva e consolidando o título de “Vale da Celulose”.
Embora a nova tarifa não alcance a celulose, especialistas avaliam que o cenário internacional continuará sendo monitorado pelo setor, uma vez que mudanças na política comercial dos Estados Unidos podem provocar impactos indiretos sobre preços, competitividade e fluxo do comércio global.
COMO FICAM AS TARIFAS
Antes da medida anunciada pelo governo norte-americano, os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos estavam sujeitos apenas às tarifas regulares de importação, conhecidas como Tarifa de Nação Mais Favorecida (MFN).
Essas alíquotas variavam conforme a classificação de cada produto, ficando, em média, entre 3% e 3,5%. Com a decisão do USTR, os produtos incluídos na nova lista passarão a pagar uma tarifa adicional de 25%, enquanto os itens isentos, entre eles a celulose, continuam submetidos apenas às regras tarifárias já existentes.
POR QUE OS ESTADOS UNIDOS CRIARAM A NOVA TARIFA DE 25%?
Segundo o governo dos Estados Unidos, a tarifa foi adotada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A investigação concluiu que determinadas políticas, práticas e ações do Brasil seriam consideradas “injustificáveis ou discriminatórias” e estariam restringindo ou onerando o comércio norte-americano. Com isso, o governo dos EUA decidiu aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros como medida de resposta comercial.
O relatório do USTR cita, entre os motivos para a decisão, alegações relacionadas a:
- práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos;
- barreiras ao comércio e ao investimento;
- questões envolvendo propriedade intelectual e comércio digital;
- e críticas a ações do governo brasileiro que, na avaliação norte-americana, afetam empresas e interesses dos EUA.




