Com tarifas que pesam no bolso e cobrança por eixo, motoristas e moradores questionam falta de acostamentos seguros e riscos severos de acidentes na rota do celulose
Ao assumir o volante e cortar os 138 quilômetros da rodovia MS-112, a reportagem do Perfil News sentiu na pele o peso real do perigo. A rodovia, hoje sob concessão da concessionária Way-112, transformou-se na artéria mais pulsante e, ao mesmo tempo, mais tensa do leste de Mato Grosso do Sul. Com o avanço avassalador das obras da fábrica da Arauco, a pista simples virou palco de uma disputa desproporcional de espaço: de um lado, veículos leves de moradores locais; do outro, comboios gigantescos de carretas carregadas de eucalipto e uma frota interminável de ônibus fretados para os alojamentos.

TARIFA ELEVADA
O primeiro grande ponto de atrito para quem trafega pela região é o bolso. Os valores praticados nas praças de pedágio da Way-112 geram revolta e pesadas críticas de trabalhadores e empresários da região. A cobrança fixa a tarifa de R$ 7,00 para motocicletas e salgados R$ 14,00 para carros de passeio, além do faturamento multiplicável feito por eixo comercial nos caminhões e carretas. O sentimento geral é de que o alto custo financeiro diário não se traduz na segurança viária necessária. A insatisfação ganha contornos de urgência quando se analisa a geometria da pista. A MS-112 carece de acostamentos adequados na maior parte de sua extensão e exibe um traçado estreito para o volume de carga superpesada que agora sustenta a economia estadual.


FANTASMA DO ACIDENTE
O maior temor coletivo, no entanto, é a ausência de acostamento e/ou um plano de duplicação a curto prazo. Especialistas viários e lideranças regionais alertam que manter a rodovia em pista simples durante a operação definitiva da fábrica de celulose é pavimentar o caminho para estatísticas trágicas. O fluxo não para de crescer e o asfalto simples não perdoa erros de ultrapassagem. A Way-112 executa serviços de manutenção de rotina, mas usuários relatam que os remendos paliativos e a sinalização visual não anulam a fragilidade de uma estrada saturada, transformando cada viagem em um teste de sobrevivência.

Por: Augusta Rufino





