Hoje o rádio se calou, às músicas pedidas pelos seus fãs não serão atendidas. Na sua voz tranquila, nas suas entrevistas e muitas vezes nas suas apurações feitas à pé pelo centro de Três Lagoas, às conversas e sua voz tranquila e pausadamente traziam informações relevantes.
Aqueles que estão do outro lado com seus rádios ligados, não tem noção do seu processo, de que como cada linha e cauda lauda são escritas, como fazemos e desfazemos de uma notícia em questões de segundos. Ao longo dos anos escutamos que o rádio estava morrendo com a invenção da TV. Mas o rádio magicamente se transformou com o passar dos anos. Hoje fazemos rádio ao vivo pela internet e nossas vozes que muitas vezes eram considerados um rosto incógnito, passou a ser visto pela transmissão ao vivo.
Mas o verdadeiro rádio nunca morreu. Ele sempre se transforma e alcança rincões inimagináveis. Muitos fãs em suas mais longas distâncias esperam ansiosamente aquele horário para saber da notícia, pedir uma música e muitas vezes simplesmente pedir para enviar um recado, um abraço carinhoso para aqueles que estão perto ou aqueles que estão muito longe.
Os que nunca entraram numa rádio, que apenas estão do outro lado não entendem como temos que ser um maestro para reger aquela orquestra para tudo funcionar. Nunca estamos sozinhos e para essa orquestra funcionar, temos que ter nosso maestro. Em saber escutar, conduzir e ver como será regida a obra de arte que traz a felicidade de muitos.
Durante o tempo em que morei em Três Lagoas, não me lembro de ter visto o Adilson Silva com nossos famosos caderninhos, anotando suas colas. Ele sabia tudo de cor porque tinha feito o ensinamento básico que aprendemos na faculdade que se chama apuração. Muitas vezes era à pé ou de bicicleta. Era uma figura conhecida da população Três Lagoense. Era parado nas ruas, atendia com muito carinho todos os Três Lagoenses.
Adilson Silva não foi apenas um maestro conduzindo ao longo dos 40 anos de profissão em diversos meios de comunicação da cidade de Três Lagoas mas foi um verdadeiro jornalista. O verdadeiro jornalista é aquele que sabe escutar os dois lados do fato. Aquele que apura, anota, estuda para entender e poder explicar para muitas pessoas, muitas vezes ouvintes fatos que impactam em suas vidas, histórias do que acontece na sua cidade. Não me lembro de ver o Adilson carregando blocos e caneta, companheiros básicos de um jornalista. como hoje vemos muitos colegas fazer no ao vivo para passar às informações. Apenas não usam mais o tradicional papel mas sua telas de celular em que estão ali anotadas às informações que a população precisa saber.
Quando o Adilson começou, não existia acesso às leis de informações, dados em tempos reais que podem ser acessados em apenas um clique pelos novos jornalistas como eu sou. Eram informações que demandavam paciência, para dizer a verdade para aqueles que esperam por isso avidamente de nós, repórteres, jornalistas e radialistas. Na realidade contamos histórias. Não só às nossas mas de pessoas e escrevemos a história naquele momento de vida de milhares de pessoas.
Um dia quando ainda jovem,recém chegada em Três Lagoas, eu pude conhecer através do Adilson Silva, um estúdio de rádio. O sonho de menina se realizou vendo aquela mágica sendo transformada, como funcionava aquela engrenagem que transformava a minha vida e de tantos aos longos dos anos.
Nosso último encontro foi quando fui buscar meu carro que estava na casa da sua sogra que nos adotou como filhos (minha querida mãezinha Maria de Lourdes Queiroz Garcia, professora conhecida como tia Lurdes) que nos adotou e toda sua família, como o Adilson também assim o fez.
Lá o Adilson não era apenas o jornalista mas lá, naquele momento e naquela casa rosa, ele era o pai da Paula e do Manoel. Era o filho, o genro, o cunhado e amigo. Tomando um café com sogra e genro, escutei deles o conselho que muitos anos depois transformaria minha vida. Como meu amigo Adilson, me tornei uma jornalista, uma apaixonada pelo rádio e seu poder transformador na vida das pessoas.
Hoje o rádio se cala mas a voz do jornalista Adilson Silva se manterá sempre viva na história de Três Lagoas. Adilson deixa dois filhos, Paula e Manoel, netos, sua mãe, seus irmãos, fãs e muitos amigos que construiu ao longo de seus anos de profissão.
Que sua história e seu legado se perpetue na vida e na história de Três Lagoas.
Por: Márcia Torres Gargalhone/ Jornalista-D.R.T/DF 13.447





