30/10/2003 15h40 – Atualizado em 30/10/2003 15h40
Com o coração dominado pelo ódio e o ciúme, o pastor evangélico Reginaldo Batista dos Santos, de 28 anos, desrespeitou um dos mais importantes ensinamentos bíblicos, o 6º mandamento da Lei de Moisés: “Não matarás”. O enteado de 7 anos e a filha de 5 anos acordaram assustados às 3h de ontem. As crianças viram o pai matar a mãe, Alcione de Paula, de 26 anos, com 22 facadas. Arrependido e chorando, o religioso se apresentou, espontaneamente, à polícia quatro horas após ter cometido o crime.
A tragédia aconteceu na casa de número 39 da Travessa Cabatam, bairro do Grajaú, zona sul de São Paulo. Alcione chegou em casa à 1h. Inconformado e aborrecido, o marido ficou esperando a mulher. O casal discutiu. Enciumado e suspeitando de traição, Santos foi à cozinha, abriu a gaveta do armário, pegou a faca, voltou ao quarto e matou Alcione.
O pastor trocou suas roupas manchadas de sangue, pegou as crianças e foi à casa da irmã, no Jardim Ângela, zona sul. Santos disse que havia matado Alcione. Também pediu para a irmã cuidar dos filhos e avisou que iria se entregar à polícia.
Eram 7h quando o pastor chegou ao prédio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Luz, centro de São Paulo. Santos chorava muito. Abalado emocionalmente, ele contou aos policiais da portaria que havia matado a mulher a facadas. O delegado-assistente da equipe C-Sul, Cristian Lanfredi, foi chamado. Ainda chorando, o pastor confessou: “Cometi um erro e quero pagar pelo que fiz. Matei minha mulher”. Lanfredi colocou Santos num carro oficial e foi com investigadores para o Grajaú.
O cenário do crime permanecia intacto. O corpo da mulher estava no chão do quarto. Ao lado havia muito sangue. Santos ainda mostrou ao delegado onde tinha jogado a faca, em um matagal perto da casa. Na parede da sala tinha um coração desenhado por Santos, com os nomes dele e de Alcione. Pastor da Assembléia de Deus, Santos alegou que cansou de ser humilhado por Alcione. Ele contou que apanhava dela, de panela, na frente dos outros. Acrescentou ainda que tinha ciúme e também desconfiança de possível traição.
Lanfredi disse que está há sete anos na Polícia Civil e nunca tinha visto um assassino se apresentar e confessar o crime. O delegado explicou que o fato de Santos ter se apresentado, espontaneamente, impede a prisão em flagrante. Mesmo assim, o policial pediu à Justiça a decretação da prisão temporária do pastor.
Fonte:Agora MS





