20.4 C
Três Lagoas
sábado, 11 de julho de 2026

Aliado do governo ataca programa Fome Zero

15/09/2003 11h15 – Atualizado em 15/09/2003 11h15

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, disse ontem que o programa Fome Zero é equivocado, centralizador, assistencialista e que não representou grandes transformações sociais. Ele chegou a compará-lo à campanha Dê Ouro Para O Brasil, promovida pelo governo militar nos anos 60 com o objetivo de melhorar a situação financeira e social do país.

— Está havendo um processo de centralização que condenei quando o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) fez sua proposta de combate à fome. Hoje se fala até em centralizar a merenda escolar. Há uma idéia no setor mais tradicional da esquerda de que você precisa centralizar — criticou Freire.

Programas como o de combate ao trabalho infantil, segundo ele, rendem mais resultados do que o Fome Zero.

— O Fome Zero recebe doações do sul do país, transferidas para o Nordeste. Isso implica em custos muito maiores. O programa começa a padecer de gasto excessivo no custeio de uma máquina desnecessária — lamentou.

0”País precisa de renda, não de cestas básicas”

Para Freire, o Fome Zero não passa de um tipo de política compensatória. Ele reclamou que políticas compensatórias não trazem grandes mudanças por serem “práticas neoliberais de países desenvolvidos, criadas por economistas de países centrais do ponto de vista de desenvolvimento”. E criticou:

— O Brasil não precisa de compensação. Precisa é de emprego, renda, não é de distribuição de cestas básicas. O Fome Zero infelizmente é só isso. Seria mais produtivo buscar a criação de empregos.

Freire disse que não se gera emprego distribuindo R$ 50 em Guariba, referindo-se à cidade do Piauí escolhida como a primeira a ser beneficiada com o Fome Zero.

— Com iniciativas desse tipo, não geramos emprego ou renda. O Fome Zero não é um programa transformador, não é política de governo que se pretende de esquerda, embora seja até necessário —disse o presidente do PPS.

Para ele, dar R$ 50 a cada família não seria o meio adequado de acabar com a fome, de promover uma intervenção transformadora.

—- A transformação que o governo está fazendo é a do estado brasileiro. Essa sim, caracteriza um governo de esquerda. Mudar um estado que foi historicamente privatizado para garantir privilégios da elite e distribuir instrumentos de compromissos sociais: isso sim é mudança estrutural.

Freire disse que é da base, mas não aliado do governo

O presidente do PPS esteve ontem em Recife para participar da festa de filiação do deputado e ex-ministro Raul Jungmann ao PPS. No discurso, ele disse que a melhor distribuição de renda é uma política de salário-mínimo forte ou a melhoria de pensões e aposentadoria.

Freire disse que projetos de transposição de rios —- como Tocantins e São Francisco — reduzirão substancialmente a miséria do Nordeste.

Mesmo sendo da base aliado, ele disse que não se sentia impedido de fazer críticas ao governo:

— Não sou aliado. Pertenço à base e não perdi minha independência. Votei no Lula no segundo turno, mas o PPS continua com suas posições. Não estou precisando de coisa nenhuma. Não quero nada deste governo — disse Freire.

Fonte:Agora MS

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.