10/09/2003 07h53 – Atualizado em 10/09/2003 07h53
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, afirmou nesta terça-feira, em entrevista à Rádio CBN, ser contra o atual modelo educacional, que permite que jovens da classe alta estudem de graça em universidades públicas para ficarem ainda mais ricos. Para ele, esses futuros profissionais teriam de necessariamente colaborar com o desenvolvimento do país.
- Se a elite estuda apenas para ficar mais rica com o diploma, acho que o estado não deveria pagar o curso dela – declarou Buarque.
Segundo ele, “o problema é que hoje a universidade não tem a preocupação social”.
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A maior parte dos alunos de Medicina vai montar o seu consultório apenas para atender a uma minoria, estudou de graça para ficar rico – ressaltou ele.
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Se o futuro economista vai estudar para ser funcionário da bolsa de valores, acho que o curso teria de ser particular, é um investimento que o pai faz para o menino ficar rico depois – acrescentou.
Buarque afirmou que o direcionamento da carreira do estudante depende muito da grade curricular da faculdade.
- Se o curso é voltado para a saúde pública, ele vai colaborar para a saúde pública. Se o curso de Arquitetura trabalha para a habitação popular, esse estudante vai colaborar para a construção desse tipo de moradia.
Buarque declarou também que conhece “milhares de jovens estudantes de Medicina que vão para a rede pública de saúde”. Segundo ele, esses teriam direito de estudar nas universidades estaduais e federais.
O ministro petista disse que aqueles que estudam para ser militares ou diplomatas também têm direito a formação gratuita, pois vão servir ao país. Afirmou ainda que muitos cursos como Engenharia proporcionam à nação a geração de empregos na indústria, por exemplo, o que justificaria a universidade pública.
Para Buarque, os universitários de instituições federais poderão dar uma grande contribuição ao país no ano que vem, trabalhando em programas de alfabetização.
- Eu estou defendendo isso, assinamos um convênio ontem (segunda-feira), e as universidades federais se comprometeram que a partir do próximo ano todo aluno participará de programas de alfabetização.
Com relação à mudança no “provão”, que avalia as universidades, o ministro afirmou que até novembro estará definido um novo sistema de avaliação.
- Vamos avaliar de uma maneira mais dura do que o governo anterior, que fingiu que avaliava, mas nunca fechou um curso. Nós queremos fechar cursos ruins, para isso teremos de ter um novo sistema de avaliação. Como vai ser o método? Nós não sabemos ainda. Mandei o projeto que está em discussão inclusive para o ex-ministro Paulo Renato Sousa.
Buarque afirmou que não “entende” aqueles que são contra o aperfeiçoamento do “provão”.
- É como se Deus tivesse feito o mundo e tivesse dito para nós: melhore o mundo, menos o provão, porque o provão é perfeito, foi a minha obra-prima – ironizou Buarque.
Fonte:Globo News



