10/09/2003 09h54 – Atualizado em 10/09/2003 09h54
O medo dos servidores públicos de perder direitos com a reforma da Previdência, além de fazer muita gente adiantar seus processos de aposentadoria, está resultando em piora da qualidade de serviços prestados. Um exemplo disso pode ser verificado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), onde somente este ano o número de professores que se aposentaram já é 41% maior em relação ao verificado em 2002 inteiro. Na área administrativa o problema não é diferente, já que, este ano, 67 servidores se aposentaram. Nos 12 meses do ano passado foram 44 aposentadorias deferidas. “A reposição parcial com certeza complica o ensino. Muitos professores do quadro saem e entram substitutos iniciantes”, comenta Paulo Roberto Bastos, presidente da Adufms (Associação dos Docentes da UFMS). A maioria dos que saem é gente com qualificação, mestrado e doutorado, com carreira de longos anos na instituição. Dão lugar a pessoas que, além de não serem concursadas, o que em tese diminui o compromisso com o trabalho desenvolvido, acumula menos títulos acadêmicos e, também teoricamente, têm condições mais limitadas de ensino. Os estudantes constatam que a maioria dos professores dos cursos, no geral, é contratada temporariamente. “Temos só três titulares, o restante é contratado”, diz Arielle Martinho, 18 anos, aluna do primeiro ano de Direito. Juliana Fernandes, 18, colega de turma de Arielle, compartilha a opinião e constata além: “Em outros setores do serviço público o problema está sendo muito maior, como no caso dos auditores da Receita, que vivem fazendo greve contra a reforma”. As duas estudantes até desconhecem que haja uma tendência à evasão dos docentes em virtude da reforma da Previdência. Sabem apenas que, independente disso, faltam professores gabaritados para ocupar as cadeiras da academia. Em cursos mais recentes, como o de Artes, parece que a situação está mais tranqüila. “Nosso curso é bom, os professores são organizados e continua a mesma coisa”, comentou a estudante Camila Vaz, 25 anos, que cursa o segundo ano. Ela disse que a última pessoa a se aposentar foi Marli Damus, cuja despedida ocorreu há poucos meses. “Não percebemos nenhuma mudança na qualidade do curso”, diz Ariane Nantes Brás, 19 anos, também acadêmica de Artes, compartilhando a opinião da colega. O presidente da Adufms diz que já foi pedido á reitoria da UFMS a reposição do quadro de professores. A informação não-oficial, diz Bastos, é de que 30 vagas serão abertas em concurso anunciado em nível nacional. “É um número insignificante. O ideal é que fosse feito um concurso para pelo menos 200 vagas”, comenta o dirigente. Na opinião dele, todos os centros estão sendo prejudicados, principalmente cursos como o de Farmácia e Medicina, mais antigos e, portanto, com professores também de carreira mais extensa. Nas academias mais novas, mais da metade do quadro, no geral, é formada por substitutos (temporários). “Precisamos de mais gente com dedicação exclusiva”, constata. Pelo andar das coisas, não é o que tende a acontecer. Todos os dias alguém aparece na Divisão de Aposentadoria e Pensão da UFMS para pedir informações, achando que é a hora certa para pendurar as chuteiras, antes do governo federal mudar as regras previdenciárias. A responsável pelo setor, Ana Maria Gimenez, explica que há 35 servidores com a avaliação já pronta e com aposentadoria marcada ainda para este ano. “Este ano ainda devem vir muitas pessoas solicitando a avaliação e outras já pedindo a aposentadoria”, constata.
Fonte:Campo Grande News




