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quinta-feira, 9 de julho de 2026

O plano de paz morreu

08/09/2003 14h33 – Atualizado em 08/09/2003 14h33

Uma anedota israelense diz que o sonho de Yitzhak Shamir, primeiro-ministro de Israel que o presidente George Bush pai obrigou a iniciar negociações com os árabes, era acordar e ver nos jornais a seguinte manchete: “A ameaça de paz foi afastada”. O atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e seu oponente, o presidente palestino Yasser Arafat, estão vivenciando o sonho de Shamir: o “mapa do caminho”, o processo de paz bancado pelos Estados Unidos, com apoio da ONU, da União Européia e da Rússia, virou fumaça em apenas três meses. Foi o tempo suficiente para prevalecerem a falta de confiança mútua e a lógica do olho por olho. No espaço de trinta dias, desde que um terrorista suicida matou 22 pessoas, entre elas sete crianças, num ônibus em Jerusalém, pondo fim ao precário cessar-fogo existente, Israel já matou dezessete palestinos, doze deles membros preeminentes do grupo terrorista Hamas e os demais inocentes que estavam por perto na hora do ataque. Na semana passada, Israel declarou guerra total ao Hamas.

O “mapa do caminho” previa obrigações a ser cumpridas num período de dois anos para reforçar a confiança mútua. As questões mais espinhosas, que antes emperravam um acordo, só seriam discutidas em 2005 – como o destino de Jerusalém, o retorno dos refugiados palestinos, a retirada das colônias judaicas dos territórios ocupados e, por fim, a criação do Estado palestino. Israel acusa a Autoridade Palestina (AP) de não ter reprimido os grupos terroristas nem impedido atentados. A AP diz que nada pode fazer por causa da política israelense de assassinar líderes extremistas e pede uma intervenção internacional. Os palestinos também não se entendem entre si. O primeiro-ministro Mahmoud Abbas é boicotado por Arafat – excluído das negociações por imposição de Israel e dos Estados Unidos –, que se recusou a abrir mão do controle das forças de segurança.

O fato de o processo ter desmoronado ainda na fase inicial levantou uma dúvida: os atuais líderes israelenses e palestinos estavam mesmo dispostos a fazer a paz? A intransigência reforçou a impressão de que há uma incompatibilidade de demandas – o máximo que os israelenses estão dispostos a conceder não atende ao mínimo que os palestinos aceitariam. A esta altura, apenas George W. Bush poderia forçar os dois lados a retomar o diálogo. Mas o presidente americano já tem problemas demais no Iraque, sua prioridade em política externa. E certamente não vai brigar pela paz onde os interessados só querem a guerra. Sharon e Arafat estão a salvo da ameaça da paz.

Fonte:Veja online

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