03/09/2003 08h02 – Atualizado em 03/09/2003 08h02
Deputado estadual, pela terceira vez, José Roberto Teixeira, secretário-geral do Partido da Frente Liberal (PFL), não economiza em dizer que o sistema adotado pelo movimento de trabalhadores sem terra do Mato Grosso do Sul, não vai há lugar nenhum se continuar desordenado como está atualmente.
Com estratégias muita aquém da realidade vivida no campo, os grupos estão entrando em propriedades produtivas, querendo forçar o governo a fazer assentamento na marra.
Cita como saída para essa problemática, a escolha de famílias com aptidões para trabalhar na terra e que o Brasil não dispõe de recursos para atender as milhares de famílias espalhadas nas margens de rodovias, esperando um “milagre” ocorrer da noite para o dia.
Ele se coloca como candidato do partido a prefeito de Dourados no ano que vem, mas ao mesmo tempo, acha que tanto o seu o nome como o do vereador José Carlos Cimatti, presidente da Câmara Municipal, estão em condições de participar do pleito.
Claro que para isso, tem de haver o aval do presidente estadual da sigla, deputado federal Murilo Zauith, além da consonância do grupo. De uma coisa, porém, o PFL, não abre mão, segundo Zé Teixeira, o de disputar com candidato próprio as eleições de 2004 em Dourados e em diversas cidades do Estado.
Agora MS–Como pode se definir esse momento vivido por trabalhadores do Movimento Sem Terra e os pecuaristas no Estado, mais precisamente na região da Grande Dourados?
Zé Teixeira-O governo vem travando uma batalha dura para controlar essa situação. Em Itaporã, por exemplo, onde tem que haver, de ambas as partes, muito diálogo chegando a exaustão, o clima me parece bastante tenso apesar da calma aparente.
Nesta segunda-feira numa reunião entre o representante do Incra (Dr. Bonelli) e do Idaterra (Mineiro), Secretário de Segurança Adalberto Nogueira, vários deputados, presidente da Famasul Léo Brito, o Ouvidor Agrário (Dr. Ulisses Duarte) e o Procurador do Estado (Dr. José Vanderlei), ficou acertado o cumprimento da lei e da reintegração de posse.
Agora MS–Porque o Movimento de Trabalhadores Sem Terra cresce tanto?
Zé Teixeira-Esse movimento, quando vai entrar numa propriedade, ninguém informa quem levou, quem pagou nem de onde saem recursos para manter tanta gente por vários dias acampada.
Quando se depara com a forma que estão estas famílias sem água, sem alimentação, em local totalmente inadequado, a gente chega numa conclusão que existe falta de estratégia dos líderes desses grupos.
Agora MS–O senhor é favorável à política de reforma agrária?
Zé Teixeira-Sou a favor de uma reforma agrária de qualidade. O que ocorre é pessoas sendo enganadas, achando que trabalhar e adquirir terra é fácil. E isso não é fácil não. Os movimentos estão redondamente enganados, o governo federal quer fazer uma reforma agrária de nível, não quer fazer uma reforma agrária de quantidade.
Eu acho que o critério para qualificar as pessoas deve ser rigoroso. As pessoas que realmente querem um pedaço de terra, tem que ter vocação, porque a pessoa não vai para terra para comer a terra, ela tem que produzir. Plantar o milho, o arroz, o feijão; tem que esperar a vaca criar.
O porquinho vai dar a banha, a galinha vai botar o ovo, para ter o frango e nesse período tem que se contar que pode haver a falta de chuva ou muita chuva, o frio. Então, vendo por esse ângulo, a agricultura não é esse mar-de-rosas idealizado por algumas pessoas.
Agora MS–O assunto agora fica por conta das eleições 2004. O presidente da Câmara Municipal, vereador José Carlos Cimatti demonstrou sua vontade em ser candidato a prefeito no ano que vem, o senhor também colocou o seu nome em pauta, tem o Paulo Campione, e o deputado Murilo Zauith. Qual a estratégia que o PFL está utilizando para agasalhar as pretensões dessas lideranças?
Zé Teixeira-O vereador Cimatti (José Carlos) filho da terra, homem de família tradicional, fundadora do município, é sem dúvida um excelente nome. Tem experiência pois já está no seu quarto mandato legislativo, é forte. Mas eu também tenho três mandatos, tenho 43 anos de Dourados e por isso coloquei o meu nome a disposição do partido.
O deputado Murilo Zauith, quer fazer um PFL forte, no momento está trabalhando para o fortalecimento do partido no Estado. Ele tem se esquivado em afirmar que é candidato. Então o PFL tem o deputado Murilo, eu, o vereador Cimatti e tem outras pessoas no partido com o mesmo direito de sonhar como o Paulo Campione e outros.
Agora MS–Quando o partido define o nome do seu candidato a prefeito?
Zé Teixeira-De uma coisa você pode ter certeza. O PFL terá candidato a sucessão municipal. Quem é o candidato? Não sou eu, não é o Murilo, não é o vereador Cimatti, nem o Campione e sim aquele em que através de pesquisa qualitativa se mostrar com melhor desempenho perante a sociedade.
Quando se faz essa pesquisa, o melhor desempenho junto aos eleitores, é o deputado Murilo Zauith. Estou tendo uma facilidade muito grande em poder trabalhar com o deputado Murilo, um homem sério, que cumpre o que combina e que tem administrado o PFL da forma que um dia eu sonhei em administrar esse partido.
Fonte:Agora MS




