01/09/2003 16h34 – Atualizado em 01/09/2003 16h34
A recente decisão do Conselho de Política Monetária (COPOM) do Banco Central de reduzir os juros básicos da economia (SELIC) para 22% é uma sinalização de que o governo federal pretende dar mais oxigênio para a classe empresarial brasileira, sufocada pelos altos encargos cobrados pelos bancos oficiais e comerciais.
Não é de hoje que os juros praticados pelas instituições financeiras tem sido apontados como uma das causas da retração da economia, atingindo desde a industria até o consumidor final. Em Dourados a situação não é diferente do restante do país; Os comerciante reclamam dos juros altos que afetam as vendas a prazo, pois se o consumidor atentar para os índices se assusta .
O governo já conseguiu domar a inflação ascendente no inicio do governo Lula, praticando uma taxa de SELIC que bateu em 26,5%. Mas agora, é hora de melhorar o quadro econômico e social, pois o desemprego chega a quase 20% nas dez maiores regiões metropolitanas.
Mais do que o Banco Central fazer a sua parte, é preciso que os “emprestadores de dinheiro”, como os bancos, factoring e financeiras, repassem essa vantagem para o consumidor. Os juros do cheque especial e outras linhas de créditos são altíssimos, chegando a inviabilizar muitas empresas que eventualmente necessitam destes recursos para capital de giro.
O recente pedido de concordata preventivo feito por dois frigoríficos da região é um sintoma que o dinheiro caro pode matar a empresa. Juros extorsivos e carga tributária excessiva forma os dois principais motivos alegados por essas industrias para requerer a concordata, infelizmente, é um mau sinal para todos.
Os bancos comerciais precisam ter a sensibilidade de reduzir as suas taxas de juros para atender melhor as necessidades dos seus clientes, sem que isso represente menos lucros. Só para citar um exemplo, o estatal Banco do Brasil apresentou lucro liquido de R$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. E o panorama não foi diferente em outras instituições que também alcançaram lucros estratosféricos.
Como se diz no jargão popular, essa lucratividade não pode continuar saindo “do lombo” da classe empresarial que dá sua contribuição financeira (pagando impostos) e social (gerando empregos).
É preciso sensibilidade dos bancos também para diminuir os seus juros, deixando os clientes respirarem melhor.


