28/08/2003 07h59 – Atualizado em 28/08/2003 07h59
O impasse entre mais de mil índios de etnia Terena que ocuparam a Fazenda Buriti – de 2090 hectares, situada em Sidrolândia, a cerca de 83 km da Capital, e o proprietário da área, o ex-deputado estadual, Ricardo Bacha, durou quatro horas nesta quarta-feira antes da chegada da Polícia Federal ao local. Por volta das 10 horas, o dono da fazenda foi com um grupo de pessoas e a equipe da TV Morena até a propriedade mas segundo ele, ficaram impedidos de sair de lá por duas horas. “Nós conversamos com os índios que a princípio não queriam nos deixar sair mas depois ficamos aqui aguardando a presença da Polícia Federal”.
Às 15h30, a equipe conduzida pelo delegado Jonas Rossati chegou à fazenda. Na MS-162, a 5 km da entrada da propriedade rural, 50 fazendeiros da região faziam protesto pedindo agilidade da Justiça. Próximo à cerca da área, Rossati pedia ao cacique Daniel Campos Filho para que os indígenas não matassem o gado. O cacique estava rodeado de centenas de indígenas entre eles mulheres, adolescentes e crianças com rostos pintados – em sinal de guerra. “Aqui o que tem é gado de reprodução quero a palavra de vocês que não vão tocar em nada porque todos sabem que a Funai (Fundação Nacional do Índio) não tem dinheiro para ressarcir o dono do gado”, pediu aos índios Rossati.
“Temos que ter a garantia do plantio ao menos pois se formos ficar aqui a espera da Justiça como vai ficar nosso sustento”, reclamou durante a reunião o terena Vinícius Jorge. Do outro lado, agachado e cabisbaixo, Ricardo Bacha, disse que como teve a tutela antecipada da área não “existe razão para que os indígenas invadam a invernada”. “É a história de trabalho de 70 anos da minha família”, defendeu-se.
Com 84 anos, o terena Leonardo Reginaldo, vive também o dilema de Bacha porém com as lembranças que diz respeito a sua história. “Eu ajudava meu pai na lavoura aqui onde é agora fazenda. Em 1950, a terra foi invadida com o apoio da polícia e a gente teve que sair daqui mas espero morrer aqui”, relatou.




