23/08/2003 09h40 – Atualizado em 23/08/2003 09h40
CAMPOS DO JORDÃO – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira no encerramento do 1º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro que a retomada do crescimento econômico nos próximos trimestres e em 2004 é condição já dada e que o maior desafio é garantir o crescimento sustentado a partir de 2005.
- O crescimento sustentado está relacionado ao nível de investimento da economia. É preciso mobilizar a capacidade de poupança interna e externa e os mecanismos de transferência destes recursos – disse Meirelles.
O presidente do Banco Central voltou a afirmar que a sociedade brasileira está cansada de espasmos de crescimento e que a estabilidade é pré-condição para o crescimento sustentado e os investimentos.
- A previsibilidade é tão ou mais importante do que a taxa de retorno prevista – afirmou.
Ainda durante sua palestra, Meirelles lembrou que o governo está finalizando o Plano Plurianual, que prevê fortes investimentos em infra-estrutura. Esses investimentos, explicou, são fundamentais para evitar gargalos no crescimento econômico.
Segundo ele, também estão em processo de conclusão as regulamentações necessárias para os principais setores da infra-estrutura, o que incentivará os investimentos. Meirelles lembrou, no entanto, que apenas o processo de ajuste do setor público reduzirá a necessidade de financiamento do setor público, que pesará menos sobre a poupança privada.
DÉFICIT – Meirelles afirmou que são conservadoras as estimativas do BC de déficit nas contas correntes do país em 2003. Assim, ele sinaliza uma revisão na previsão do banco, que estaria apostando em um déficit inferior aos US$ 4,2 bilhões atualmente estimados.
O presidente do BC também fez o mesmo comentário a respeito da estimativa de saldo da balança comercial e previu um “recorde histórico” este ano. A última projeção do BC para o saldo comercial é de US$ 17,6 bilhões.
- Nossos números mais recentes mostram claramente que o saldo na balança comercial será superior a esse (estimado). E temos uma boa possibilidade de termos um recorde histórico. É cedo para anunciar isso, mas estamos indo numa tendência muito forte – disse durante sua conferência.
Segundo Meirelles, a estimativa de déficit em transações correntes “parece ser conservadora, uma vez que o BC informou, nesta quinta feira, que o saldo na conta corrente em período de 12 meses concluído em julho mostra um saldo de US$ 2,6 bilhões”.
Ao comentar a meta de redução da relação dívida/PIB para 40% até 2011, o presidente do BC reconheceu que o esforço fiscal “contraria interesses, mas a sociedade deve entender que isso é necessário para o país crescer”. Meirelles afirmou que a continuidade do esforço fiscal provocará “uma queda consistente do risco Brasil”, diminuindo o custo do financiamento.
Fonte: GloboNews



