11/08/2003 14h38 – Atualizado em 11/08/2003 14h38
SÃO PAULO – O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, classificou nesta segunda-feira a redução do IPI para automóveis de 2.000 cilindradas como um “paliativo”. Segundo o ministro, apenas essa medida, que é válida até novembro, não é suficiente para reaquecer o setor.
- A redução do IPI é importante para desovar os estoques – disse.
Ele frisou que a indústria automotiva brasileira tem problemas estruturais por ter uma capacidade instalada “muito maior do que a demanda”. Segundo ele, a fraqueza no consumo de automóveis não se deve exatamente ao preço dos carros, mas sim ao baixo poder aquisitivo da população e também pelas taxas de juros e dificuldades nos mecanismos de financiamento.
- Estamos em uma situação no Brasil de transição, na qual todos sofrem e ninguém tem razão, mesmo quem reclama. O governo precisava reconstruir um marco de credibilidade e fazer ajustes nas contas públicas – explicou.
Furlan salientou que, apesar do desaquecimento, a produção de veículos neste ano está próxima dos patamares do ano passado.
- Houve algum erro de previsão, porque no ano passado não houve o represamento de veículos dos pátios – disse.
O ministro acrescentou que os problemas do setor automotivo não são muito diferentes de outros segmentos industriais, como o de eletroeletrônicos, que também tem uma capacidade de produção superior a demanda.
Furlan participou do seminário Exportações Automotivas, promovido pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O presidente da entidade, Ricardo Carvalho, comentou com jornalistas que a redução do IPI é, de fato, temporária e é um tipo de “ponte” para uma situação da conjuntura econômica que, espera a entidade, seja melhor a partir de novembro, quando termina o acordo fiscal.
Questionado sobre a observação do ministro de que a produção está sendo semelhante à do ano passado, apesar da queda das vendas, Carvalho ressaltou que o pátio automotivo brasileiro passa por “uma crise a ser considerada”. Ele citou que a capacidade de produção nacional é de 3,2 milhões de unidades e que as vendas internas este ano devem ficar bem abaixo desse patamar, em cerca de 1,4 milhão de veículos.
Fonte: Globo News




