01/08/2003 08h09 – Atualizado em 01/08/2003 08h09
Sem condições mínimas de higiene e a quilômetros dos programas sociais. É assim que estão as famílias retiradas há cerca de dois meses da área pública conhecida como Jardim Arco-Íris, em Campo Grande. Vislumbrando a possibilidade de voltar para onde saíram mas desta vez nas casas que já começam a aparecer em meio ao canteiro de obras, crianças estão submetidas a situações inadmissíveis dentro do perímetro urbano.
Com a cabeça cheia de feridas, Raina Aparecida, de um ano e cinco meses, e os irmãos Stefani, de 5 anos, e Davi, de 2 anos, recebem cuidados de sua mãe Maria Aparecida, de 27 anos. No barraco onde moram, localizado na Rua Acrópolis, ao lado de dezenas de famílias, a água suja é despejada no meio da ruela através de encanamentos improvisados. O banheiro, ao contrário das regras propagadas pelos agentes de saúde, é imundo e no sanitário improvisado, larvas de moscas fazem parte da fotografia da realidade enfrentada por estas famílias. “Levei minha filha ao posto de saúde mas a médica não me disse o motivo dela estar desse jeito”, resumiu a mãe, à margem de qualquer ação básica em saúde pública.
As “donas-de-barraco”, como elas mesmas falam, Luzia Pereira de Paula, de 33 anos, e Marluce Caetano, de 27 anos, disseram que o que dá força para que elas enfrentem todo o problema de saúde e saneamento é a possibilidade de serem transferidas dali com seus filhos e se tornarem, ao pé da letra, “donas-de-casa”. “Aqui as crianças têm verminose e muita gripe”, relatou Luzia de Paula, ao lado dos filhos Bruna, de 4 anos, Larissa, de 7 anos, e Lauro, de 11 anos. “Mas, quando a gente for para as casas tudo vai mudar”, disse Marluce Caetano. As mulheres não têm constrangimento algum de mostrar e falar sobre seus problemas. Os programas sociais, como Bolsa Escola, Vale Escola, Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), Programa de Segurança Alimentar e principalmente os de saúde- PSF (Programa Saúde da Família) e Agente de Saúde- não chegam até a maioria destas 80 famílias.
Fonte: Campo Grande News



