19.7 C
Três Lagoas
sexta-feira, 3 de julho de 2026

Sem-teto, governo e Volks tentam solução para impasse em terreno de São Bernardo

28/07/2003 08h47 – Atualizado em 28/07/2003 08h47

SÃO PAULO – Representantes dos sem-teto, Ministério Público, governo, Polícia Militar e dirigentes da Volkswagen tentam nesta segunda-feira encontrar uma solução para a invasão do terreno da montadora, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O encontro acontece nesta manhã, em Santo André. Se não houver solução, o governador Geraldo Alckmin promete usar a força policial para desocupar a área, invadia no último dia 19, cumprindo assim uma decisão judicial.

No início da ocupação, cerca de 500 sem-teto tinham montado barracas no local. Agora já são mais de sete mil pessoas no terreno da Volks. Os sem-teto entram hoje na Justiça com ação para tentar cassar o mandado de reintegração de posse.

Ontem, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) iniciou uma ofensiva para evitar o despejo das quatro mil famílias que ocupam um terreno. As tentativas de negociação começam hoje em cinco frentes, que incluem desde a Polícia Militar até o governador Geraldo Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em carta que será encaminhada hoje ao presidente, os sem-teto descrevem Lula como a pessoa em quem se espelharam para aprender a lutar por seus direitos. Também afirmam contar com a sensibilidade do presidente, relembrando seu passado de sindicalista, para garantir a posse da terra e evitar o despejo.

As negociações começam com a carta e se prolongam por todo o dia, em uma estratégia do MTST para impedir o cumprimento da reintegração de posse prevista para hoje. Às 18h, em Brasília, o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, participa de reunião com o vice-presidente da Volks, João Rached, e o secretário nacional de Habitação, Jorge Hereda. Vicentinho esteve ontem no acampamento e disse que vai negociar em favor do movimento.

Os sem-teto também tentarão um acordo com o governo estadual. Representando o movimento, o senador Eduardo Suplicy conversa com o governador Geraldo Alckmin sobre um possível acordo para impedir que a polícia entre na invasão e retire os moradores.

A maior parte das famílias que estão no acampamento já sabia ontem que um confronto com a polícia estava praticamente descartado. Por isso, estavam tranqüilos e se diziam seguros da vitória.

  • Vim aqui para conseguir um pedaço de terra e construir minha casa – disse Rogéria de Souza, de 26 anos, três filhos e grávida de cinco meses.

Como a maioria das pessoas, Rogéria levou a família inteira para a ocupação, mas não abandonou sua casa.

Fonte: Globo News

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.