25/07/2003 19h48 – Atualizado em 25/07/2003 19h48
A falta de rastreabilidade não é o real motivo para que os frigoríficos paguem menos pela arroba dos animais dos municípios peripantaneiros. A atitude foi apontada como oportunista, mas que reflete a necessidade de se liberar a produção da região para exportação. A conclusão foi tirada nesta Sexta-feira (25/07), na reunião da Comissão Estadual de Pecuária de Corte, que aconteceu na Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul-Famasul.
Durante toda semana, a Famasul recebeu denúncias de produtores de que frigoríficos estavam pagando de dois a três reais a menos pela arroba dos animais dos 14 municípios que compõem a região peripantaneira. Para esclarecer e tentar resolver a situação, o presidente da Federação, Leo Brito, convocou uma reunião extraordinária com toda Comissão Estadual de Pecuária de Corte. A comissão é formada por diversas instituições, entre elas a própria Famasul, Delegacia Federal de Agricultura (DFA), Secretaria de Estado de Produção (Seprotur), Iagro, Sindicato dos Frigoríficos ( Sindfrig), Sicadems e outras.
Todos os participantes da reunião reconhecem e concordam quanto a importância da rastreabilidade, para melhoria da qualidade do rebanho sul-mato-grossense e a conquista de novos mercados internacionais. Porém desde 1991 estes 14 municípios, estão impedidos de exportar por causa de uma acordo estadual. De acordo com Leo Brito, o que os produtores não intendem, é o porque desta proibição. “Sabemos que desde 1997 o pantanal é considerado pelo Estado como área livre de febre aftosa e que desde 2001 o Brasil foi declarado como zona livre da doença, porque então até hoje a União Européia não reviu sua posição”. Declarou Brito.
Para solucionar o impasse, a Comissão Estadual de Pecuária de Corte decidiu elaborar um documento pedindo ao Ministério da Agricultura a revisão do processo que proíbe os municípios peripantaneiros e pantaneiros de exportarem carne bovina. Segundo esclareceu o presidente da Famasul Leôncio de Souza Brito, a falta de perspectivas deste mercado é que tem desistimulado o produtor dessa região, à não investir em rastreabilidade. O documento será encaminhado na próxima semana, à Delegacia Federal de Agricultura.
A Comissão Estadual da Pecuária de Corte esclarece os produtores rurais que somente os frigoríficos que exportam para países da União Européia, são obrigados a exigir dos pecuaristas animais cadastrados no Sisbov.
De acordo com dados da DFA, em Mato Grosso do Sul os 10 frigoríficos credenciados para exportação são: Frigorífico Bertin em Naviraí, Frigorífico Bom Charque em Iguatemi, Frigorífico Independência em Anastácio, Campo Grande e Nova Andradina, Frigorífico Margem em Itaporã e Paranaíba, Frigorífico Friboi em Campo Grande, Frigorífico Frigotel em Três Lagoas e Frigorífico Marfrig em Bataguassu.
As regras da rastreabilidade
Desde o dia 15 de julho, entraram em vigor as novas regras do Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina), exigindo mais rigidez no controle sanitário do rebanho brasileiro no ajuste da rastreabilidade ao mercado externo. Entre as mudanças está a exigência chamada de quarentena. O que significa que o pecuarista só poderá retirar a GTA (Guia de Trânsito Animal) e transportar seus animais mediante a comprovação do cadastro na Base Nacional de Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária há mais de 40 dias. Outra exigência é a padronização do DIA (Documento de Identificação Animal) utilizado para garantir a auditoria e segurança do Sisbov e pelo mecanismo de controle e fiscalização informatizados.
De acordo com o presidente da Famasul, Leôncio de Souza Brito, apenas 10% de todo abate do Brasil é destinado à exportação, não justificando tal medida. Toda carne exportada representa apenas 10% de nossos abates, e mesmo neste percentual apenas os 4%, que são destinados à comunidade Européia, é que tem a obrigatoriedade de rastreabilidade, os outros 6% são vendidos para outros países que não fazem está restrição.




