24/07/2003 17h30 – Atualizado em 24/07/2003 17h30
Tendo como grande diferencial o envolvimento mais próximo com a população e o trabalho preventivo em âmbito familiar, tem sido cada vez mais satisfatório o atendimento realizado diariamente pelas equipes do Programa de Saúde da Família – PSF, em atividade na Unidade de Saúde da Vila Haro.
Essa filosofia, aplicada pelo Prefeito Issam Fares em Três Lagoas – que é a primeira cidade a ter implantada o programa em Mato Grosso d Sul – segue as diretrizes do Governo Federal e já passou a fazer parte do dia a dia da comunidade local.
Atendendo a mais de 8.000 (oito mil) pessoas, distribuídas em aproximadamente duas mil famílias da região, a Unidade de Saúde é constituída por dois grupos de servidores denominados PSF 2 e PSF 3 que são formados cada um, por um médico, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem, um formulário administrativo e sete agentes comunitários de saúde, sendo estes últimos responsáveis por visitas periódicas a residências previamente cadastradas. Cada agente acompanha o cotidiano das condições de saúde de uma micro-região, orientando famílias e propondo ações em programas oferecidos pela municipalidade.
A Vila Haro, onde se localiza a Unidade, é atendida pela equipe do PSF-3 que também compreendem os bairros, Vila Verde, Itamarati e os Jardins Eunice, Moçambique, Aeroporto, Esperança, Guaporé, Rodrigues, Oliveiras e Alto Alegre, enquanto que o PSF-2 funciona com ações nos Bairros Maristela, Santa Terezinha, Santos Dumont, São José e os Jardins Flaboyant, Novo Alvorada, Capilé e área circunvizinha. O Posto inicia suas atividades às 6:00 horas para marcação de consultas que são feitas durante o dia, mesmo período de atendimento ambulatorial, coleta de sangue e exames. Curativos e vacinações são efetuados da mesma forma, bem como atendimento odontológico
No período da tarde, sempre que necessário, acontecem as visitas domiciliares para aqueles pacientes que não podem se locomover até o PSF (em sua maioria acamados), em verdadeiro atendimento de “Médico da Família”.
DIÁLOGO, CARINHO E SATISFAÇÃO
Raquel Valéria de Farias, moradora do Jardim Flamboyant e que é atendida no PSF-2 avalia como muito bons os procedimentos médicos da Unidade de Saúde, segundo ela um atendimento humano e pessoal. “A Doutora Marcela (uma das médicas do programa) atende muito bem mesmo! Eu estava com a pressão alta, ela passou os remédios e agora esta tudo controlado. Quando venho ela está sempre sorrindo, passa os exames e segue junto comigo. Nós nos sentimos bem e não precisamos ir a outro postinho. Todos preferem vir aqui”, comentou Raquel. Ela complementa que ali ninguém fica estressado, os problemas são verificados, existe diálogo e boas explicações. Isabel Rosa de Jesus, também da mesma micro-reigão e paciente da Dr. Lúcia Marcela da S. Magalhães diz que nunca teve nenhuma queixa sequer e não vê problema em se deslocar do Jardim Flamboyant até o Posto. “A gente se sente feliz. Alegria e a maneira de atender para mim é muito especial”, apontou.
Custódia Silveira Costa, moradora do Jardim Novo Alvorada, por sua vez elogia bastante a atuação dos agentes comunitários de saúde e lembra o atendimento domiciliar efetuado nas regiões atendidas, de acordo com ela um trabalho de equipe. “Pra mim está ótimo. Um bom trabalho não se faz sozinho. Quero ainda falar que as agentes e as enfermeiras são excelentes e ninguém tem o que reclamar”, disse Custódia
ATENÇÃO E CONTATO SÃO ESSENCIAIS
Na opinião do Dr. Marcus Vinícius V. Bruzadim, natural de Mirandópolis e especialista em acupuntura, já há seis anos em Três Lagoas, quem atende no PSF tem que tentar se envolver com a população. “A Vila Haro é uma região carente e difícil. A gente tem que se envolver e tentar ajudar o pessoal, nos predispor a fazer visitas domiciliares que fazem parte do programa, apesar das dificuldades que se encontra. Tem que haver uma doação grande e o básico é o envolvimento e a preocupação. Sem isso não se faz PSF, pois todos os problemas são trazidos para os agentes comunitários, para nós e as enfermeiras e assim tentamos ajudar”, frisou.
O Dr. Marcus médico do PSF-3, considera o contato com a população essencial pois grande parte de seus problemas são voltados à falta de atenção. “Aqui os doentes recebem atenção, não só dos médicos, mas principalmente dos agentes comunitários e o pessoal que trabalha internamente no Posto”, declarou.
Para a Dra. Lúcia Marcela da S. Magalhães, do PSF-2, treslagoense, é imprescindível muita força de vontade e gostar do que se faz, pois segundo ela mesma afirma, “é muito difícil um profissional que se volte a medicina de família. Nós trabalhamos 8 horas, sendo de manhã e à tarde e muitos não entendem isso. Para mim é a coisa mais gostosa que existe. Pena que em Três Lagoas tenham apenas 03. Deveriam existir muito mais”, comentou Marcela.
A médica explica que pela manhã são feitas em médias de 15 a 18 consultas, o que muitas pessoas no começo até consideravam tempo demorado e que hoje são melhores compreendidas, pois acontecem os contatos para orientação, perguntas sobre famílias, entre outros pontos importantes.
A Dr. Lúcia Marcela, bastante enfática, resume todo o trabalho do PSF com a palavra “atenção”, pois de acordo com ela pacientes que usavam remédios muitos fortes após serem ouvidos deixaram de utilizá-los. A profissional que atualmente faz pós-graduação em Gerontologia, pretende especializar-se em saúde da família.



