02/07/2003 16h23 – Atualizado em 02/07/2003 16h23
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso de fazer a reforma agrária e disse que ela acontecerá dentro da lei. O relato foi feito pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado Aldo Rebelo. Nesta quarta-feira, Lula se reuniu por quatro horas com líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Ainda de acordo com Rebelo, o MST apresentou uma pauta de reivindicações e solicitou a agilização do processo de reforma agrária. O grupo pede que 120 mil famílias sejam assentadas imediatamente e um milhão até 2006. O líder do governo informou que o governo não se comprometeu com números, mas com metas e objetivos. Ele contou também que o presidente não pediu o fim das invasões.
O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, saiu satisfeito da reunião. Ao ser indagado sobre como tinha sido o encontro, ele respondeu:
- Cinco a zero no latifúndio.
Stédile disse que a reunião foi um grande avanço e “um momento histórico ímpar”. Segundo ele, Lula se comprometeu a colocar a reforma agrária como prioridade da pauta do governo.
Durante a reunião, de acordo com relato do deputado Aldo Rebelo, a falta de estrutura dos assentamentos já existentes também foi debatida. Segundo ele, há um orçamento, que pode não ser suficiente, e por isso o governo vai buscar novos meios de melhorar os assentamentos e fazer novos.
Apesar da tensão em diversos pontos do país, provocada por invasões e saques, o encontro transcorreu em clima bastante amistoso. Lula pôs na cabeça um boné do MST e chegou a convidar os sem-terra para almoçar no Planalto, mas eles não quiseram. Num instante de descontração, o presidente chegou a colocar na boca de um dos líderes dos sem-terra um biscoito trazido por eles. O presidente ganhou ainda dos visitantes uma bola de futebol e alimentos cultivados nos assentamentos. Sobre o fato de Lula ter quebrado o protocolo ao colocar o boné, Rebelo disse que o ato foi uma questão de educação.
Participaram da reunião com Lula 29 pessoas da coordenação nacional do MST. Pelo governo, os ministros do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto; da Casa Civil, José Dirceu; e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.



