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terça-feira, 23 de junho de 2026

Empresas devedoras do INSS fizeram doações a campanhas de presidenciáveis

01/06/2003 13h46 – Atualizado em 01/06/2003 13h46

Segundo reportagem publicada neste domingo pelo jornal O Globo, pelo menos um quarto das contribuições de campanha para candidatos à Presidência da República saiu dos cofres de devedores do INSS. De acordo com o jornal, a lista foi divulgada pelo Ministério da Previdência. E o maior volume de doações foi para o comitê do eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Do total de R$ 39,4 milhões que recebeu em contribuições, R$ 10,8 milhões foram doados por empresas que constam da lista de devedores da Previdência.

Entre elas, a principal colaboradora é a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), da família do vice-presidente José Alencar. A direção da empresa, que afirma não reconhecer a dívida de R$ 137.739 com o INSS, doou R$ 2,4 milhões à campanha de Lula no ano passado.

Candidato do PPS à Presidência da República, o hoje ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, recebeu das empresas devedoras do INSS R$ 5,011 milhões do total de R$ 16,3 milhões que arrecadou para a campanha. Proporcionalmente, o tucano José Serra foi o maior beneficiário de contribuições feitas por empresas que figuram na lista de devedores do INSS: R$ 10,3 milhões do total de R$ 28,5 milhões. Segundo prestação de contas feita pelo PSB ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comitê de Anthony Garotinho arrecadou R$ 3,3 milhões. Desses, R$ 854 mil são doações de empresas devedoras que brigam na Justiça para não pagar ao INSS.

Entre as empresas que estão na relação de devedores do INSS, a Gerdau foi a maior doadora para a campanha de Ciro, R$ 1,2 milhão. A empresa também deu contribuição de R$ 500 mil para o comitê de Lula.

Assim como a Gerdau, são muitas as empresas que contribuíram para dois ou mais candidatos ao longo da campanha. A Ericsson Telecomunicações, a Pirelli (Cabos e Pneus), o Banco de Crédito Real de Minas, Klabin e a Ripasa Celulose e Papel são exemplos de empresas que doaram para os três principais candidatos: Ciro, Serra e Lula.

Segundo a assessoria do Ministério da Previdência, a presença de devedores do INSS entre os colaboradores de campanha do presidente e do ministro Ciro Gomes não vai inibir o esforço do governo de cobrar os R$ 65 bilhões inscritos na dívida ativa (em execução judicial).

Fonte: Globo News

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