01/06/2003 13h53 – Atualizado em 01/06/2003 13h53
Depois de passar longos períodos na clandestinidade desde sua fundação, em 1922, o PCdoB vive agora uma inusitada fase de crescimento com a chegada ao poder por conta do apoio ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo sem nenhuma campanha ostensiva de filiações, o partido vem contabilizando adesões no país, principalmente de políticos sem mandato eletivo e sem atual vinculação partidária.
Somente no estado de São Paulo, o PCdoB registrou 2.300 novos filiados nos últimos três meses, pelos dados do diretório regional. Desse total, 800 adesões ocorreram na capital.
- O crescimento que temos obtido é diferente daquele que tradicionalmente se vê no meio político. Crescemos mais na base social, um segmento que julgamos importante para o nosso trabalho e no qual atuamos – afirma Walter Sorrentino, secretário de Organização da executiva nacional.
Embora a grande maioria das filiações se concentre entre estudantes, líderes sindicais e de movimentos populares, a fase governista do PCdoB também aumentou de 12 para 19 nomes a modesta bancada de vereadores paulistas. Nacionalmente, o partido conta agora com 165 representantes em câmaras municipais e saltou de uma única prefeitura comunista — a de Olinda — para quatro, ainda que em municípios pequenos: Guanhães (MG), Mirandiba e Quipapá, ambas também no estado de Pernambuco.
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Consideramos esse crescimento natural. Estamos no governo federal depois de apoiar Lula desde 1989, participamos do governo em oito estados, temos os vice-prefeitos de Recife e Aracaju e o vice-governador do Piauí – explica Sorrentino.
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Teremos presença grande nas eleições municipais de 2004 e já estamos nos elevando à condição de um partido de porte médio -acrescenta o dirigente.
Para o deputado federal Aldo Rebelo (SP), líder do Governo na Câmara, a projeção conquistada pelo partido levou ao crescimento, obrigando a legenda a analisar o momento com cuidado.
- Não podemos perder a oportunidade de crescer, mas também não devemos forçar o processo, crescer a qualquer custo.
Sorrentino também descarta a hipótese e prefere analisar o momento como uma nova fase do PCdoB.
- Nossa posse no governo encerrou o que podemos chamar de ciclo da legalidade, iniciado em maio de 1985, quando deixamos a clandestinidade do regime militar – disse.
Jairo José da Silva Júnior, secretário-geral da executiva paulista, arrisca dizer que o crescimento deve se refletir nas urnas em 2004.
- Temos chances de triplicar o número de vereadores e podemos lançar candidatos próprios a algumas prefeituras – afirma.
Fonte: Globo News


