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terça-feira, 23 de junho de 2026

Lula propõe ao G-8 taxação do comércio de armas para financiar combate à pobreza

01/06/2003 14h13 – Atualizado em 01/06/2003 14h13

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs neste domingo, durante discurso aos integrantes do G-8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia), a criação de um fundo internacional de combate à pobreza. Lula apresentou duas sugestões de financiamento para o fundo: taxação do comércio internacional de armas e o reinvestimento de parte dos recursos pagos como juros pelos países devedores. O presidente brasileiro, que participa da reunião como convidado, destacou que, no caso da taxação da venda de armas, a medida traria vantagens “do ponto de vista econômico e ético”.

Anfitrião do encontro, o presidente da França, Jacques Chirac, considerou a idéia complexa e de difícil implementação, mas destacou que a fome é inaceitável.

  • Não é injustificável, também sou favorável a examinar essa proposta (de taxação do comércio de armas). Ficamos extremamente impressionados e surpresos com essa proposta do presidente Lula – comentou Chirac.

Lula teve um encontro reservado com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Segundo relato do assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, o presidente dos EUA disse que o colega brasileiro tem sido uma liderança no continente sul-americano. Os dois conversaram por 15 minutos sobre assuntos que serão discutidos na viagem de Lula aos EUA este mês.

  • Vamos aprofundar os assuntos em Washington. Quero ouvir sua opinião – teria dito Bush.

Em seu discurso ao G-8, Lula propôs ações contra a fome:

  • Queremos falar-lhes de forma simples e direta: venho propor-lhes ações coletivas, responsáveis e solidárias, em favor da superação das condições desumanas em que se encontra grande parcela da população do globo. A fome não pode esperar. É preciso enfrentá-la com medidas emergenciais e estruturais.

Segundo o presidente brasileiro, a pobreza e a miséria que atingem milhões de homens e mulheres no Brasil, na América Latina, na África e na Ásia obrigam a construção de uma nova aliança contra a exclusão social.

  • A pobreza e a miséria que atingem milhões de homens e mulheres no Brasil, na América Latina, na África e na Ásia, nos obrigam a construir uma nova aliança contra a exclusão social. Estou convencido de que não haverá desenvolvimento econômico sem sustentabilidade social e que, sem ambos, teremos um mundo cada vez mais inseguro. É nesse espaço de desagregação social que prosperam os ressentimentos, a criminalidade e, em especial, o narcotráfico e o terrorismo – afirmou.

Lula disse ser necessária uma nova equação que permita a retomada do crescimento e inclua os países em desenvolvimento.

  • Os problemas sociais como o desemprego, inclusive nos países ricos, estão se agravando cada vez mais. Estou seguro que um dos objetivos desta reunião do G-8 é o de buscar caminhos para que a economia volte a crescer. Necessitamos uma nova equação que permita a retomada do crescimento e inclua os países em desenvolvimento. A incorporação dos países em desenvolvimento na economia global passa necessariamente pelo acesso sem discriminações aos mercados dos países ricos – alertou.

Para o presidente brasileiro, não é possível competir livremente em meio a subsídios e outros mecanismos de proteção.

  • Fizemos um enorme esforço e sacrifício para conquistar competitividade. Mas como competir livremente em meio à guerra de subsídios e outros mecanismos de proteção que criam uma verdadeira exclusão comercial? Não viemos aqui para nos lamentar, nem simplesmente para engrossar o coro das recriminações. Sabemos quais são nossas responsabilidades. Estamos fazendo a nossa parte, executando políticas econômicas equilibradas, combatendo o desperdício e a corrupção, aprimorando as instituições para o bom funcionamento das nossas economias. Temos demonstrado vontade política para combater os desequilíbrios sociais e a pobreza – disse.

A reunião ampliada do G-8 começou pouco antes do meio-dia deste domingo, no horário brasileiro. Nessa fase, só os líderes dos países emergentes discursam.

Fonta: Globo News

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