29/05/2003 15h52 – Atualizado em 29/05/2003 15h52
O comandante das tropas terrestres dos Estados Unidos no Iraque, general David McKiernan, disse que a guerra no país “não acabou”.
A declaração contradiz as afirmações anteriores do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que declarou o fim da guerra no dia 1º de maio.
Depois de uma série de ataques que mataram pelo menos cinco soldados americanos nesta semana, o general McKiernan disse que “o líder do regime foi removido do poder, mas alguns de seus aliados continuam na ativa”.
Ele negou, no entanto, que exista um novo movimento nacionalista contrário à ocupação americana.
Último incidente:
No mais recente incidente, um soldado americano foi morto nesta quinta-feira. O Comando Central americano disse que o soldado estava viajando sozinho em uma rota de suprimentos quando foi atingido por tiros. Ele foi declarado morto no hospital.
O Comando Central não revelou o local do incidente ou a unidade do Exército a que pertencia o soldado morto, mas afirmou que as circunstâncias estão sendo investigadas.
Ele foi o 20º militar americano a morrer em combates ou em acidentes no Iraque desde a declaração oficial de Bush finalizando a guerra.
Mortes em emboscadas têm reforçado o perigo constante que as forças americanas e britânicas enfrentam no Iraque.
Elas têm aumentado a debate em torno do fato de as tropas estacionadas no país serem ou não suficientes para controlar a situação.
Outros ataques:
O ataque desta quinta se soma a uma série que ocorreu nesta semana.
Um soldado americano morreu na segunda-feira quando atiradores atingiram um comboio perto da cidade de Haditha. Horas depois, em um segundo incidente, uma explosão causada por uma mina terrestre atingiu um comboio militar na periferia de Bagdá, próximo ao aeroporto, matando um soldado e ferindo outros três.
Outros dois soldados foram mortos em um ataque na cidade de Falluja na terça-feira.
O correspondente da BBC no Pentágono Nick Childs disse que há 147 mil militares americanos no Iraque atualmente – mais do que no auge da guerra.
Mas ele acrescenta que isso não conseguiu diminuir críticas feitas pelo Congresso de que o Pentágono subestimou o tamanho da tarefa a ser realizada no Iraque.
A força ainda é considerada relativamente pequena para um país tão grande, quando se compara, por exemplo, com as forças de paz nos Bálcãs.
Incêndio:
Também nesta quinta-feira houve relatos de que um posto policial controlado pelos americanos foi incendiado em Hit, uma cidade 200 km a oeste de Bagdá.
O ataque aconteceu em meio a protestos que, segundo relatos, foram uma resposta a buscas de armas de casa em casa, feita por policiais iraquianos apoiados por tropas americanas.
Moradores irritados foram para as ruas, queimando carros e jogando pedras em tropas americanas, segundo a agência de notícias Reuters.
O posto policial foi abandonado e as tropas americanas foram deslocadas para uma base fora da cidade.




