26/05/2003 15h30 – Atualizado em 26/05/2003 15h30
SÃO PAULO – A CUT abriu fogo para modificar a proposta de reforma da Previdência encaminhada pelo governo ao Congresso. João Felício, presidente da entidade, diz que é preciso “distribuir renda” via Previdência e que a proposta do governo pune de forma igual todos os servidores públicos, independentemente da faixa salarial. Embora a CUT informe que não é favorável à contribuição dos inativos, Felício afirma que a entidade vai brigar para que as alíquotas de contribuição sejam estabelecidas de acordo com a faixa de renda. Pela proposta do governo, estão isentos apenas as aposentadorias com valor até R$ 1.058.
- Quem ganha até R$ 2.400 não pode ter o mesmo tratamento de quem ganha R$ 10 mil. Não se pode tratar todos os funcionários públicos como beneficiários de altos salários e altas aposentadorias – diz Felício.
O presidente da CUT afirma que a entidade vai pressionar os deputados a modificar a proposta e levará os funcionários públicos para as ruas para protestar. Felício ressalta que a CUT não vai se aliar aos radicais do PT para criticar a proposta de reforma, mas adianta que não vai recusar apoio.
- Os radicais travam uma disputa política e fazem críticas globais. Nós não vamos pedir para o governo retirar o projeto, mas queremos modificá-lo. Mas se os radicais quiserem, podem apoiar nossas propostas. Não vamos rejeitar apoio de ninguém, nem do PFL – diz Felício.
Em documento divulgado na última sexta-feira, a CUT defendeu um teto de R$ 4.800 para as aposentadorias (a proposta do governo é um teto de R$ 2.400) e manutenção das regras de tempo de serviço e idade mínima para aposentadoria do servidor público. Felício ressalta que é preciso ter regra de transição para qualquer tipo de alteração no regime previdenciário.
- Não se trata de mudar uma regra, mas uma expectativa de vida. Não dá para dizer para um funcionário público que iria se aposentar no ano que vem que ele vai ter que trabalhar mais sete se quiser receber o salário integral. É uma punição muito severa – afirma.



